Crime passional, relacionado à gravidez indesejada, ou uma divergência ligada ao tráfico de drogas. A polícia trabalha com essas duas hipóteses para desvendar o assassinato de Emília Francisca Soares de Abreu, 19 anos. Degolada e com uma grande incisão na barriga, a garota foi encontrada morta segunda-feira à tarde – oito dias após ter desaparecido -em um matagal na Rua Antônio Kolody, Butiatuvinha. O feto de cinco meses foi retirado pelo assassino.

O delegado Rubens Recalcatti, do 12.º Distrito Policial (Santa Felicidade), que colabora com as investigações da Delegacia de Homicídios, disse que o pai da criança era um indivíduo conhecido como “Laranja”. A informação foi dada por um parente de Emília. “Laranja”, que seria dono de um boné encontrado próximo do corpo da vítima, já responde a inquérito como co-autor do assassinato de Alexandra Vieira de Souza, 19 anos, morta com um tiro no peito na madrugada de 23 de setembro do ano passado, no Jardim Três Pinheiros II, Butiatuvinha. Caso a suspeita se confirme, a morte de Emília estaria relacionada à sua gravidez.

Vício

Parentes contaram ainda que a jovem se prostituía e praticava pequenos furtos para manter o vício do crack. “Há um grupo de usuários, traficantes e ladrões com os quais a garota convivia”, falou Recalcatti. Um dos membros dessa turma, chamado de “Zé Magrão”, é o outro suspeito do crime, de acordo com o delegado. “Zé” é acusado de revender drogas na região e foi visto em companhia de Emília um dia antes do desaparecimento dela. “Neste caso, o crime teria relação com essas atividades do grupo”, falou Recalcatti.

O delegado contesta a informação de que o 12.º DP não procurou a garota após receber um telefonema revelando o local onde estava o cadáver. “Estivemos no local, mas não o encontramos. Quem achou provavelmente sabia onde ela estava”, falou o titular do distrito.

Brutalidade

Emília desapareceu em 11 de maio do Jardim Três Pinheiros, onde morava. Dia 19, parentes a encontraram coberta por folhagens num matagal próximo ao bairro, vestindo apenas uma camiseta preta levantada até o pescoço. A Polícia Científica recolheu perto da cadáver uma blusa de moletom e um boné, possivelmente pertencente ao autor.

Depois de matá-la, o criminoso abriu uma incisão em forma de cruz no ventre de Emília e arrancou o feto. A polícia acredita que o feto foi lançado num riacho próximo ao local do crime. Exames do Instituto Médico-Legal dirão se a jovem manteve relações sexuais ou foi estuprada antes de ser morta.