Uma quadrilha especializada em roubar carros de luxo no Brasil e enviar os veículos para países vizinhos foi presa por meio de uma operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE) de Minas Gerais. Conhecido como “Doutor do Crime”, o advogado e pecuarista Evangevaldo Castanheira do Santos (foto), de 43 anos, é apontado como chefe do grupo, que também tinha a participação de uma despachante de Caraguatatuba (SP) encarregada de providenciar a documentação falsa usada para “esquentar” os carros roubados, todos avaliados em mais de R$ 100 mil.

A “Operação Lobo de Ferro” foi desencadeada após aproximadamente dois anos de investigações conjuntas realizadas pelo Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp) da polícia e pelo Grupo de Combate ao Crime Organizado (GCOC) do MPE. A apuração teve início depois que parte da quadrilha roubou uma caminhonete dentro de uma concessionária em São Gotardo, na região do Alto Paranaíba. Durante as investigações, a polícia descobriu que os veículos levados pelo grupo – pelo menos dez, segundo a polícia – tinham placas, lacres e documentação forjadas e eram vendidos no Paraguai, Bolívia e Peru.

Durante a operação, foram presos em Minas, além de Castanheira, outras oito pessoas foram presas. Castanheira negou a participação no crime, apesar de assumir já ter sido preso pelo mesmo crime e ser acusado de roubo e tráfico de drogas no Paraná. “Vim me apresentar ao juiz para ser ouvido. Fizeram uma investigação errada e vou provar que não fui eu”, disse o suspeito, que alega atuar como advogado e com gado de corte.

Perigoso

Considerado um dos criminosos mais procurados e perigosos do Paraná, Castanheira foi preso em Foz do Iguaçu, em 15 de maio do ano passado, pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e a Divisão Estadual de Narcóticos (Denarc).

Bacharel em Direito e habilitado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e pecuarista, o suspeito mantém uma extensa ficha policial pela prática de vários crimes. Só no Paraná, ele responde a dois inquéritos e a dez processos por roubo, furto, receptação e formação de quadrilha.

Na Polícia Federal ele tem passagens pelos crimes de descaminho (contrabando), receptação, estelionato e formação de quadrilha. No estado do Ceará ele responde pelo crime de furto e, em Minas Gerais, pelo crime de roubo.

O advogado também foi preso pela polícia do Mato Grosso do Sul, em dezembro de 2004, junto com uma quadrilha que falsificava cartões de créditos e utilizavam carros de alto luxo para efetuarem compras no comércio de Naviraí-MS.