O Jockey Clube do Paraná, situado no Tarumã, está proibido de realizar eventos. A decisão é do Juiz Naor Ribeiro de Macedo, da 7.ª Vara Civil de Curitiba, Naor Ribeiro de Macedo, que atende o pedido da Promotoria de Defesa do Consumidor, que impetrou a ação cível no dia 26 de novembro. O juiz determinou ainda que a Secretaria de Segurança Pública faça ronda nas proximidades do Jockey Club, para impedir a realização de eventos de grande porte. Macedo estipulou multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento da decisão judicial.

A ação foi motivada pela tragédia que aconteceu em maio do ano passado, no "Show Unidos pela Paz", resultando na morte de três adolescentes e ferimentos em aproximadamente 40 pessoas. Na época, o organizador do evento, Athayde de Oliveira Neto, 25 anos, foi preso. Ele passou dois dias na cadeia e foi colocado em liberdade. O rapaz responde ação penal na 5.ª Vara Criminal de Curitiba, por homicídio duplamente qualificado, dolo eventual, lesões corporais graves, estelionato, venda de ingressos acima da capacidade e falsidade ideológica.

Segundo

Este é o segundo requerimento do promotor João Henrique Vilela da Silveira. O primeiro foi impetrado aproximadamente dois anos antes da tragédia e foi negado pelo juiz. "Anteriormente já havíamos impetrado outra ação semelhante após verificar que o local não tem segurança para realizar shows. O Jockey precisa se adequar para este tipo de evento", salientou o promotor. De acordo com ele, a primeira vez em que ele impetrou uma ação cível iria ser realizado um show da dupla sertaneja Bruno e Marrone. "Na época já tinha problemas de segurança", disse.

Silveira ressaltou ainda que esta é a primeira fase do processo, sendo citados o Jockey, Athaíde, outras duas pessoas e 11 empresas. "Agora os réus serão citados para apresentar a contestação, onde terão oportunidade de se defender", disse o promotor, explicando que depois disso a Justiça decidirá o que deverá ser feito. "O importante é saber que não poderão ser realizados shows, festas ou exposições. Só as corridas de cavalo serão liberadas", afirmou Silveira, destacando que o Jockey Lounge Bar, casa noturna que fica no terreno do Jockey Club, está fora da proibição. Mesmo assim ele destacou que a casa vem sendo fiscalizada pela promotoria.

Mortes

Os estudantes Larissa Cervi Seletti, 15 anos, e Jonathan Raul dos Santos, da mesma idade morreram pisoteados quando aguardavam para entrar no show "Unidos Pela Paz", na noite do dia 31 de maio de 2003. Mariá de Andrade de Souza, 14 anos, foi levada pelo Siate em estado grave, ao Hospital Cajuru, onde chegou sem vida. A tragédia ocorreu quando houve um tumulto na entrada do Jockey, supostamente provocado pela tentativa de fãs de ultrapassar os portões de acesso, já que o show já havia começado. O evento não tinha autorização do Corpo de Bombeiros.