Leonor Sikon recebeu na cabeça
o golpe que resultou na sua morte.

Com uma machadada na cabeça, a aposentada Leonor Sikon, 72 anos, foi assassinada ao meio-dia de domingo, no interior de sua residência – uma pequena casa de madeira – situada na zona rural conhecida por Mato Branco, distante 30 quilômetros do centro de Quitandinha. O autor do crime, Silvano Aparecido dos Santos Cipriano, 20, foi preso na madrugada de ontem, em casa de parentes, em Curitiba, e confessou o delito. Embora existam suspeitas de que ele assassinou a anciã para tentar roubar o dinheiro da aposentadoria dela, o criminoso nega. “Eu matei sem motivo algum”, afirmou ele, quando autuado em flagrante.

O crime revoltou toda a comunidade local, já que Leonor era a terceira de uma família de cinco irmãs e apesar da idade, era considerada a mais ativa delas. Viúva há alguns anos, ela não abandonou a roça nem as criações. Como não tinha filhos, o filho de um sobrinho – Denilson de Moraes, 26 – estava morando com ela para ajudar nos trabalhos da lavoura. “Foi uma crueldade o que fizeram com ela”, lamentava o rapaz, sem conter as lágrimas.

A vítima

A região de Mato Branco Ä por onde se tem acesso somente por uma estrada de chão Ä é bastante tranqüila e formada por pequenos sítios, cujos proprietários são, em sua maioria, parentes. A família Sikon é uma das mais antigas do lugar. Quando ficou viúva e sozinha, Leonor se recusou a ir morar com outros familiares e preferiu que o sobrinho-neto lhe fizesse companhia. Criando porcos, cavalos, cães e passarinhos, ela passava grande parte do dia trabalhando. Na semana passada havia comprado doze quilos de feijão e dois quilos de milho que seriam plantados esta semana, em uma nova roça.

Como era aposentada e ainda recebendo uma pensão deixada pelo marido, ela tinha uma renda mensal próxima de R$ 400,00 e com este dinheiro mantinha a casa e ainda ajudava os parentes que lhe pediam pequenos empréstimos.

O criminoso

Há aproximadamente oito meses, Silvano Cipriano foi morar em Mato Branco, na casa de um tio, dono de um sítio vizinho ao de Leonor. De acordo com de moradores dali, ele havia “aprontado” em Curitiba. “Dizem que se envolveu em um assalto”, afirmou um vizinho. Para ser afastado das más companhias, o tio resolveu lhe dar uma chance de ganhar a vida trabalhando na roça.

Durante este tempo ele fez amizades com vários rapazes da região e parecia estar adaptado à vida no sítio. “Ele era meu amigo, estava sempre vindo aqui em casa”, afirmou Denilson. “Muitas vezes a gente saía junto”, comentou o rapaz, inconformado. Anteontem, Denilson saiu para ir a um jogo de futebol e chegou a convidar o amigo para ir junto, mas ele não quis, dizendo que iria à uma festa que estava acontecendo em um lugarejo próximo.

Alguns minutos após a saída de Denilson, o acusado invadiu a casa da anciã e a matou, usando um machado que era guardado pela própria vítima ao lado da cama. A ferramenta, com mais de seis quilos de peso, era usada para rachar a lenha que alimentava o fogão. Embora o autor do crime negue, todos os parentes de Leonor dizem acreditar que ele a assassinou para roubar seu dinheiro. “Ele queria dinheiro para ir à festa e ela deve ter negado. Então ele a matou para roubar”, afirmou uma vizinha.

Prisão

Depois do crime, Silvano foi até a casa do tio, trocou de roupas e desapareceu. Por volta das 15h, um garoto foi visitar a anciã e encontrou o corpo na cama, com o machado ao lado, manchado de sangue. Ele imediatamente avisou os parentes e estes chamaram a polícia. Como a primeira suspeita recaiu sobre Silvano, o único estranho na região, foram até o sítio do tio dele e examinaram suas roupas, encontrando nelas alguns fios de cabelo da vítima.

Algumas buscas ao criminoso foram feitas na região, sem sucesso. Horas depois, com o auxílio do próprio tio do suspeito, policiais militares de Curitiba foram mobilizados e o encontraram na casa dos pais. Silvano não reagiu e seguiu com os PMs para a delegacia de Fazenda Rio Grande (DP Regional que atende os casos de Quitandinha), onde foi autuado em flagrante pelo delegado Noel Francisco.