Jackyline Elky Ferreira do Nascimento, 38 anos, e seu marido, J.E.T.B., 35, proprietários da loja de veículos JJ Motors, estão presos. Eles se apresentaram na sexta-feira antes do Carnaval, na Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC). O casal, além do contador da loja, E.Z., são acusados de lesar mais de 100 clientes que deixaram seus carros para vender no estabelecimento. Não receberam o dinheiro da venda, nem os automóveis de volta.

De acordo com o delegado Cassiano Aufiero, da DEDC, Jackyline revendia os carros por valores mais baixos que o mercado. Ela se aproveitava da imagem de sua mãe, famosa apresentadora que vendia veículos pela TV, para dar credibilidade ao seu trabalho. No entanto, Jackyline deu calote em muita gente.

Cheques

Alguns donos de veículos receberam cheques, mas os documentos não tinham fundos. A soma do que a loja começou a dever aos clientes virou uma “bola de neve”, mas que Jackyline ainda achava que uma hora conseguiria pagar. Em seu interrogatório, ficou claro para o delegado a má gestão financeira da empresária, que chegava a gastar R$ 100 mil por mês com objetos e cuidados pessoais.

Aufiero informou que, em depoimento, J.E.T.B. jogou toda a culpa do crime em Jackyline. Ele declarou que alertou a companheira várias vezes que ela estava cometendo crime e que nunca conseguiria saldar as dívidas. Mesmo assim, ele permanece preso, tanto quanto ela e o contador, que já havia sido preso no início do ano.

Investigação

O inquérito já foi concluído e os três indiciados foram denunciados pelo Ministério Público. O processo criminal tramita na 8.ª Vara Criminal. A DEDC continua averiguando informações e remetendo documentos à Justiça. Não se descarta a participação de outras pessoas no golpe. Ele orienta às vítimas que acionem judicialmente a JJ Motors, pois é possível que consigam recuperar seus prejuízos.

Ação penal

De todos os denunciados no caso, após o devido processo penal, foi proferida sentença em fevereiro de 2017, pela juíza Sayonara Sedano, que absolveu todos os réus, à exceção de Jackyline Elky Ferreira do Nascimento, condenada a dois anos de reclusão, pena posteriormente convertida em prestação de serviços e pagamento de prestação pecuniária.