Foto: Ciciro Back

Adolfo diz que a corporação precisa cortar na própria carne.

Em implantação ao longo dos últimos cinco anos foi lançado, ontem, no 1.º Distrito Policial (DP) de Curitiba, o projeto Polícia Cidadã, desenvolvido pela Polícia Civil do Paraná. O objetivo da iniciativa é aproximar a corporação da população e consolidar a imagem do policial  como parceiro da comunidade.

De acordo com o superintendente do 1.º DP, Adolfo Rosevics Filho, ?não se trata de uma velha polícia de roupa nova, e sim uma polícia com uma nova mentalidade?. Segundo ele, o período de 1964 a 1988 caracterizou-se por uma falta de regulamentação para a atuação policial no Brasil. ?Era como se fosse um rio sem caixa, um rio que transborda. Existiam muitas figuras jurídicas que eram utilizadas indiscriminadamente, como prender para averiguação, deixando a pessoa três dias no xadrez e sem notificar ninguém?, revela. Adolfo disse ainda que, com a promulgação da Constituição de 88, a Polícia Civil ganhou um novo papel perante à sociedade.

Panorama

Cinco anos atrás, de acordo com ele, as delegacias paranaenses estavam em péssimo estado de conservação e lotadas. ?Isso não faz bem para o policial. Ele foi treinado para investigar e não para cuidar de presos?, disse. Para ele, outro fator que contribuía para o desestímulo dos policiais eram os níveis de gratificação diferentes para a mesma função. ?Só de investigador existiam de seis a sete salários diferentes?, relatou.

Os problemas foram enfrentados, segundo o superintendente, a partir da reforma e humanização das delegacias, reequipamento dos policiais e com estudos para um Plano de Cargos e Salários (PCS) para a categoria.

Mentalidade

Mas, de acordo com ele, isso não é suficiente para solucionar os problemas da corporação.

?Uma das coisas que vai mudar a mentalidade dos mais antigos são os novos policiais. Por isso foi feito um concurso. Mas a mudança cultural é uma coisa lenta e gradual?, disse.

Outra frente de trabalho do programa é a melhoria dos serviços prestados pela Polícia Civil à população. ?Um atendimento ágil e bom são direitos do cidadão. Se ele chega aqui, por mais que seu problema não seja de cunho policial, tem que receber um atendimento de qualidade e uma informação precisa?, explicou.

Para o superintendente, a corporação precisa ?cortar na própria carne? e aprender com seus erros para reconquistar a total confiança da população. ?O que nós queremos é a visão do policial parceiro do cidadão, que goza de confiança e credibilidade no que faz?, conclui.