Concluído nesta semana e divulgado ontem, o laudo das lesões corporais sofridas pelo investigador da Polícia Civil Aparecido Lopes, o “Cido”, de 45 anos, indica que ele tem fratura na clavícula. De acordo com o advogado do policial, Antônio Pelizzetti, o resultado saiu três meses depois da denúncia de que o investigador teria sido espancado dentro de seu escritório na Água Verde, em Curitiba, por policiais do Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco), ligado à Promotoria de Investigação Criminal (PIC), que estavam acompanhados de promotores.

“O juiz da Central de Inquérito na época negou o pedido da defesa para que o policial fosse encaminhado ao exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML)”, disse o advogado. “Só depois conseguimos com a requisição junto ao juiz da 5.ª Vara Criminal.”

Pellizzeti contou que, no dia 17 de junho deste ano, seu escritório foi invadido por vários policiais. “Pensamos até que eram assaltantes: estavam encapuzados e começaram a pular o muro”, lembrou. “Só depois se identificaram.”

O advogado disse que o policial e seu secretário Ricardo Tadeu Kusch foram agredidos a socos e pontapés. “O Aparecido está preso até hoje, acusado de ter receptado o próprio carro, que inclusive está financiado, só porque um funcionário de uma empresa de São Paulo registrou ocorrência de furto de veículo”, disse. “Este funcionário é que cometeu o crime de falsa comunicação de crime. Falei hoje (ontem) com o delegado de São Paulo, que achou um absurdo o que a PIC fez aqui no Paraná: invadiram e reviram meu escritório, levaram documentos, processos e até o computador. Se os promotores não sabem, escritório de advocacia é inviolável.”

Pellizzetti disse ter entrado com representação na OAB e prometeu continuar tomando providências.

A assessoria do Ministério Público (MP) disse a O Estado que por hora a PIC não se manifestará.