Alberto Melnechucky
Noite fria com vítima sem
camisa e carro com vidros abertos.

Os tiros vieram de fora do Fiat Uno, modelo novo, placa AMC-5622, e mataram o condutor, Amauri de Souza Lima, 36 anos, na noite de quinta-feira, na Rua Maximiano Fontoura da Silva, Jardim Central, em Colombo. Inicialmente nenhum documento foi encontrado com a vítima, identificada apenas na manhã do dia seguinte, no Instituto Médico Legal (IML). Apesar de a temperatura estar abaixo de 20ºC, o motorista estava sem camisa e com as duas janelas do carro abertas.

Uma ligação, por volta das 22h15, avisou a Polícia Militar da ocorrência. "Um homem contou que um carro, desgovernado tinha andado de ré pela rua e parado no barranco. Quando chegamos encontramos o condutor morto a tiros e o informante havia sumido", contou o sargento Eloir, do 17.º Batalhão da PM, que atendeu a ocorrência junto com o soldado Santos.

O carro subia a rua em direção à BR-476 (antiga116), quando deve ter sido abordado pelo assassino. Ele desceu de ré, atravessou a pista e parou em cima um barranco, com o freio de mão puxado e faróis acesos. O condutor foi atingido por tiros à queima-roupa no braço e no peito. De acordo com levantamento preliminar da perita Maria do Rocio, da Polícia Científica, foram sete as perfurações, contando entradas e saídas das balas.

O que chamou a atenção da polícia foi o fato de a vítima estar sem sua camiseta amarela, encontrada ensangüentada no banco do passageiro. Esse detalhe, somado ao de se tratar de um local escuro, "protegido" por muros altos de empresas, levantou inicialmente a possibilidade de um encontro amoroso, descartado após as investigações do dia seguinte. Os investigadores Muricy e Herculano, da delegacia do Alto Maracanã, estiveram no local para iniciar o trabalho de solução do mistério. "É prematuro afirmarmos qualquer versão para o que aconteceu. Somente as investigações poderão nos dar alguma certeza", comentou Muricy.

Mistério continua em Colombo

Apesar da identificação da vítima na manhã de ontem, o caso ainda é uma incógnita para a polícia do Alto Maracanã. O Uno em que estava Amauri não tinha alerta de furto ou roubo e, no porta-luvas, foi encontrado um cartão do seguro do automóvel em nome de Michel Miguel Ribeiro, identificado como o proprietário do carro.

Investigações da polícia apontam que, por prováveis dificuldades financeiras, Michel vendeu o Uno a Antônio Pacheco Neto. Vendedor autônomo de veículos, Antônio revendeu o carro a Amauri, a vítima encontrada no automóvel. Michely Raica de Amorim, 32 anos, esposa do baleado, explicou à polícia que ele tinha uma empresa de cobrança no Santa Cândida, porém não soube precisar o endereço nem o telefone. Ela contou que às 10h do dia do assassinato, Amauri lhe telefonou, dizendo que passaria em uma agência do Bradesco para depositar uma quantia de R$ 3 mil e logo em seguida iria para casa, no Xaxim. Às 22h, preocupada com a demora do marido, ela telefonou aos celulares dele, porém ambos estavam desligados.

Dentro do veículo também foi encontrado um carimbo, em nome de Célio Sebold, que segundo Michely, era um conhecido da família. Ele tinha uma empresa de cobrança em Balneário Camboriú, porém fechou-a e foi embora

para o Japão. Dentro do carro, Amauri carregava uma pasta, com seus documentos pessoais e de sua empresa, a Cobram, além de um contrato de compra e venda do veículo. A esposa, que está em processo de divórcio com Amauri, disse que eles assumiram as prestações restantes do carro, de aproximadamente R$ 600, além de ter pago R$ 3.500 de entrada. Para Michely, a pasta foi roubada no momento do crime.