A linha férrea que liga Curitiba a Rio Branco do Sul foi liberada às 2h da madrugada de ontem, quase 24 horas depois do descarrilamento de três locomotivas e quatorze vagões da América Latina Logística (ALL). O acidente ocorreu no quilômetro 24 da ferrovia, no município de Almirante Tamandaré. O trem transportava cerca de 700 toneladas de cimento e clinquer – matéria-prima para o cimento – e ia da capital para a Região Metropolitana.

A ALL, através da assessoria de imprensa, informou que os vagões devem ser retirados em três dias. A causa do acidente ainda é desconhecida. A empresa tem prazo de um mês para entregar o laudo explicando o que teria motivado o descarrilamento. Esse é o terceiro grande descarrilamento de trens da ALL este ano. O primeiro aconteceu em fevereiro, em Londrina, e o segundo em Balsa Nova, no começo do mês de maio, quando cerca de 43 mil litros de álcool vazaram. Embora reconheça os prejuízos dos acidentes, a ALL diz que, desde que assumiu a operação da malha ferroviária do Sul do País, as medidas de segurança da empresa reduziram em 67% o índice de acidentes.

De acordo com o técnico do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Laerte Dudas, não houve prejuízos ao meio ambiente. “O único problema seria o óleo das máquinas (cerca de 15 mil litros). Mas o tanque não foi rompido e o transbordo das máquinas já foi feito”, assegurou.

Caminhão

Os danos ambientais do acidente que envolveu um caminhão, que ia da Argentina em direção a Paulínia (SP) e que resultou em vazamento do hexametileno diamina – produto tóxico e corrosivo utilizado, entre outras finalidades, na fabricação do veneno – estão sendo apurados pelo IAP, que deve divulgar entre dez e quinze dias o resultado das analises. “Dependendo do grau de impacto e do deslocamento do produto, a empresa pode ser multada”, informou Dudas. O caminhão tombou às 5h30 de sexta-feira, no quilômetro 29 da Rodovia Régis Bittencourt (BR-116), na Vila Rio Grande 2, em Campina Grande do Sul. Estima-se que cerca de 80% do produto tenham se espalhado pela vegetação e avançado até o córrego Ribeirão Grande.

O caminhão carregava cerca de 27,4 mil do hexametileno diamina. A previsão era fazer o transbordo do restante do produto ontem pela manhã. Segundo o supervisor da 1.ª Delegacia da Polícia Rodoviária Federal, Marcelo Cidade Vieira, a causa mais provável do acidente foi o excesso de velocidade. Quanto ao motorista do caminhão, César Marraco, ele permanece internado no Hospital Evangélico, com queimaduras. O hospital não quis informar o estado de saúde do paciente. (Lyrian Saiki)