O crime no Alto Boqueirão levantou a discussão sobre a preservação de local de crime. Algumas provas foram colhidas por populares e outras, esmagadas por veículos, já que o local não estava devidamente isolado. O que para muitos parece irresistível curiosidade, para a polícia pode ser o elemento que vai elucidar o caso e que foi levada de “recordação” ou “troféu” pelos curiosos.

No Alto Boqueirão, foram feitos mais de 20 disparos, num trajeto de mais de uma quadra. No entanto, os policiais militares não perceberam o rastro de cápsulas de projéteis nos 50 metros antes do veículo e isolaram apenas a área ao redor do carro com as vítimas. O cinegrafista João Carlos Frigério, 33 anos, registrou populares catando as cápsulas.

Ele convenceu um dos curiosos a soltar a prova do crime. Mas não pode evitar que outras pessoas as pegassem, algumas amassadas por ônibus e automóveis que passavam, já que mesmo avisando os policiais sobre as evidências, o local não foi isolado. O vídeo está disponível na internet: http://twitcasting.tv/plantao190/movie/24583359

Ainda não é possível saber se os policiais realmente não viram as cápsulas na quadra anterior ou se as ignoraram, já que o isolamento de todo aquele espaço causaria um transtorno muito grande ao trânsito. Mas o capitão Robson Farias, comandante da 4.ª Companhia do 22.º Batalhão da PM, defendeu que todos os policiais recebem orientações sobre preservação de local. “É uma matéria específica do curso de formação. Mais tarde, eles recebem outros cursos de capacitação”, disse.

“O problema da população é a curiosidade. As pessoas querem ver se é alguém conhecido”, disse o capitão. Ele dá orientações à população: “Respeite o isolamento. Se vir algo fora destes limites, não mexa, cuide pra que ninguém toque e chame um policial. Ali pode haver digitais ou outros indícios do criminoso. E se tiver informações que possam ajudar no caso (suspeitos, placas de carros ou características), tem que comunicar à polícia”.