Cansada de procurar ajuda para livrar das drogas a filha S.N.S., 18 anos, D.M.C., 59, encontrou a esperança na Delegacia de Homicídios. Ao ver a matéria na Tribuna, intitulada “Delegado exorciza travesti”, publicada no dia 11 de outubro, sobre a renovação de Fábio Rossano Delae Beguetto, 23 anos, a mãe procurou o delegado Stélio Machado, para tentar resolver a situação de sua filha.

Ela contou que a garota conheceu o mundo das drogas aos 11 anos, em frente a um colégio particular, no centro de Curitiba. “Minha filha ganhou um cigarro de maconha para experimentar, na porta da escola. Só que eu descobri tarde demais”, relatou. A mulher. disse que durante esses sete anos perguntou para a filha o que a motivava a permanecer no mundo das drogas e a jovem dizia: “Experimentei e gostei”.

Segundo a mãe, da maconha, a menina passou a cheirar esmalte, cola, tínner, e se embriagar. “Ela chegava a aspirar a fumaça do ônibus porque lhe dava uma sensação diferente”, disse a mulher, salientando que só notou que a filha estava envolvida com drogas um ano depois. “Começou a sumir coisas dentro de casa. Ela pegava para vender e comprar entorpecentes. Cheguei até a pensar que eram as empregadas. Um dia descobri e ela mesma confessou: “mãe eu fumo maconha. Mas já era tarde”, frisou.

Desaparecimentos

Na mesma época, a adolescente começou a desaparecer de casa e permanecer nas ruas durante dias. “Às vezes ficava três, quatro dias. Um dia sumiu de vez. Após 15 dias a polícia Militar prendeu minha filha, num fliperama. Ela foi conduzida à Delegacia do Adolescente. Tinha 14 anos”, lembrou.

Depois da traumática experiência de ver uma filha detida, a mãe começou a procurar ajuda e tratamento. “Ela era internada, mas quando saía, recomeçava, tinha recaídas. Minha filha já estava freqüentando as favelas, conhecia os traficantes. Tentamos tirá-la dessa vida e mandamos para Santa Catarina, onde ficou internada durante dez meses”, contou.

Segundo a mãe, no retorno para a capital paranaense, a garota voltou para o submundo das drogas. Aos 14 anos, a maconha, o tínner e o esmalte não satisfaziam mais a menor, que passou a usar entorpecentes mais pesados como cocaína e as injetáveis. “Quando ela experimentou o crack, o mundo desabou. Ainda por cima ficou grávida”, comentou a mãe.

A mulher pensou que, com um filho, a menina iria mudar, mas de nada adiantou. Mesmo grávida, ela continuava usando drogas. “Fiquei com o meu neto que hoje tem dois anos e meio”, relata a mãe. “Felizmente o bebê só tem asma. Um problema respiratório derivado das drogas, mas é uma criança perfeita”, acrescentou.

Ela disse que além de furtar dentro de sua própria casa, a jovem trazia objetos de outros locais, de procedência ignorada. “O vício tomou conta. Ela roubava para comprar drogas e ainda queria vender os objetos para mim. Eu não queria comprar e ela quebrava as coisas dentro de casa, me agredia”, relatou.

Ajuda

A mãe disse que procurou o delegado Stélio Machado para que colocasse Deus no coração de sua filha. A garota estava nas ruas da cidade, quando foi encontrada por policiais da Delegacia de Homicídios e entregue à mãe. “Se ele conseguiu demover o Fábio, que agora aceita Deus e quer se ver livre do vício, por que não minha filha? Está é minha única esperança. Só Deus pode salvá-la. Não sei mais onde recorrer”, desabafou. A mulher disse que o delegado está ajudando na internação da filha.