Foto: Átila Alberti

Lúcia: ?Não foi um cachorro que morreu. Foi minha filha?.

Há três meses e meio,  a dona de casa Lúcia Almeida Proença começou a viver o pior pesadelo de sua vida. Em 10 de maio a filha dela saiu de casa, no Pilarzinho, dizendo que, se não voltasse dentro de duas horas, era para a mãe chamar a polícia. Não deu tempo de Lúcia pedir ajuda. Pâmela Aparecida Almeida Proença, de apenas 16 anos, foi degolada e encontrada morta na manhã seguinte. O crime aconteceu em Almirante Tamandaré e somou-se aos outros cinco casos de mulheres assassinadas, este ano, no município.

O drama de Lúcia está na angústia em saber que o assassino da filha continua solto. Ela afirmou que já perdeu as contas de quantas vezes foi até a delegacia de Almirante Tamandaré em busca de justiça. O que mais indignou a dona de casa foi a agilidade da polícia em elucidar o crime de Ana Cláudia Caron, 18 anos -estudante seqüestrada em Curitiba, dia 21, e encontrada morta dois dias depois no município. Assim como Ana Cláudia, Pâmela também foi levada de Curitiba e encontrada morta em Almirante Tamandaré. ?Sei da dor dos pais dessa menina, mas por que também não fizeram uma força-tarefa, com policiais de Curitiba, para descobrir quem matou Pâmela? Não foi um cachorro que morreu, foi minha filha?, disse a mãe, em prantos.

O principal suspeito do crime, para a família de Pâmela, é o ex-namorado da adolescente, que no dia 10 de maio bateu na garota, depois que ela se envolveu em uma briga com a atual namorada dele. Na noite seguinte, o rapaz ligou para Pâmela. Depois do telefonema, ela saiu de casa e alertou a mãe do que poderia acontecer.

Investigações

De acordo com o delegado Jaime Estorílio, que assumiu a delegacia do município em 6 de agosto, o primeiro passo foi descobrir de onde partiu o telefonema que Pâmela recebeu. A ligação foi de um telefone público, o que não confirma que o telefonema foi dado pelo ex-namorado. Apesar disso, a polícia pediu pela prisão temporária do suspeito, mas ele foi solto por falta de provas.

?Na primeira semana que assumi a delegacia, interroguei-o junto com o promotor. Pedimos pela prisão temporária e ele ficou cinco dias detido. Entretanto, não conseguimos levantar provas que sustentassem a decretação da prisão preventiva. O que garanto é que estamos fazendo o possível para resolver todos os crimes, em especial aqueles em que mulheres são as vítimas?, disse o delegado. Jairo afirma que existem outras linhas de investigação no caso de Pâmela e que todas estão sendo investigadas.