Ninguém disse quem matou Ezequiel e
Arnaldo e feriu uma garota de 17 anos.

A “Rua da Morte”, como era conhecida a Rua Betonex, Jardim Holandês, em Piraquara, voltou a fazer jus ao nome. Somente no final de semana quatro pessoas foram assassinadas naquela região. Bares que funcionam irregularmente, apesar de constante fiscalização da polícia, servem ou como cenário para os crimes ou como ponto de encontro dos assassinos.

O caso mais recente foi a morte de dois homens e em ferimentos numa adolescente de 17 anos, por volta das 21h40 de domingo. De acordo com dados repassados pela delegacia local, um possível desentendimento ocorrido no bar “Cantinho do Lanche” causou a morte de Ezequiel dos Santos Roberto, 25 anos, e Arnaldo da Silva. Os dois foram baleados e caíram mortos dentro do estabelecimento ao lado do balcão de atendimento. Na mesma situação, uma garota de 17 anos também foi baleada no ombro e socorrida pelo Siate.

O que motivou o desentendimento e as mortes ainda está sendo apurado pela polícia de Piraquara. “Estamos com equipes na rua em busca de mais informações”, destacou o superintendente Valdir Bicudo. Segundo o policial, Arnaldo estava em liberdade condicional por um homicídio cometido em Campinas (SP), onde foi condenado a 12 anos. Os investigadores esperam ouvir nas próximas horas a adolescente que está internada no hospital para obter mais dados sobre o duplo homicídio. Nenhum dos outros freqüentadores do estabelecimento quis apontar suspeitos para a investigação da polícia.

Betonex

O possível envolvimento com o tráfico de entorpecentes levou à morte outros dois homens na noite de sexta-feira e madrugada de domingo, no Jardim Holandês. Josiel Zacarias Batista, 19, recebeu dois tiros no peito e foi encaminhado a Unidade de Saúde, em Pinhais, onde morreu. O autor dos disparos foi identificado pela polícia como um homem conhecido na região por “Cabelo”. Vítima e autor possuíam antecedentes criminais por tráfico de drogas e a morte estaria relacionada a disputa por pontos de vendas de entorpecentes na Rua Betonex.

Logo após sair de um bailão acompanhado pela namorada, o pintor Rodrigo César Ferreira, 23 anos, conhecido por “Beá” foi executado com quatro disparos na “Rua da Morte”. Os irmãos Osmar Gomes de Oliveira, 21, e Celso Gomes de Oliveira, 23, foram presos em seguida e confessaram o crime.

Bares

Após as constantes blitze realizadas por policiais da delegacia de Piraquara fechando bares que trabalhavam irregularmente – sem alvarás de funcionamento – e que reduziu o índice de violência na região, o problema voltou a atormentar a polícia local. Dos três casos de morte ocorridos no final de semana, dois deles têm envolvimento direto com bares clandestinos.

No duplo homicídio, as mortes ocorreram no bar que já havia sido fechado anteriormente pela polícia e que voltou a reabrir sem legalização. “Por esse motivo, o dono será indiciado por desobediência a determinação de fechamento, por expor pessoas a risco de vida e pela presença de menores no estabelecimento”, explicou Bicudo.

Sobre a morte de “Bea”, os dois irmãos acusados da autoria do homicídio também foram detidos dentro de um bar que funcionava de forma irregular. “O proprietário também será indiciado”, afirmou o superintendente.