A cura através do uso de produtos feitos à base de ervas naturais, acompanhadas de técnicas de terapia holística, eram alguns dos serviços oferecidos por Haroldo Schulz, 65 anos, e seu assistente Valdecy Aparecido Vilela, 30, em sua “clínica”, localizada na Rua General Lucas de Almeida Guimarães, Vila Tarumã, em Pinhais. Os dois foram denunciados à polícia na tarde de segunda-feira e, horas depois, estavam presos. O delegado Gerson Machado apresentou a dupla e uma pequena quantidade do material apreendido na clínica, na tarde de ontem, como comprimidos em cápsulas, várias garrafas com medicamento, diversos frascos vazios e potes com ervas medicinais. Haroldo e Valdecy foram autuados em flagrante pelos crimes de estelionato; exercício ilegal da medicina e farmacologia; charlatanismo e crime hediondo; e ainda por distribuir medicamento sem registro e sem especificações, de acordo com o policial.

Outras evidências que comprovaram o funcionamento da clínica clandestina também foram encontradas pelos investigadores. 56 fichas de clientes com prescrições de medicamentos, uma tabela de preços dos produtos comercializados e certificados do exercício de profissão de terapeuta holístico, cuja procedência será averiguada pela polícia. Na tabela de preços constam 67 tipos de produtos e seus valores variavam de R$ 3,50 a R$ 35,00.

Golpes

Segundo a polícia, os detidos não têm nenhuma formação médica ou farmacológica e, mesmo assim, manipulavam fórmulas e remédios para o tratamento de diversas doenças e prescreviam receitas para tratamentos com duração de tempo indefinido. Valdecy disse que eram tratados apenas problemas de saúde mais simples como dores musculares e diabetes. “O tratamento era feito através dos medicamentos aliados a massagens e acupuntura”, contou. Haroldo concordou com a resposta do asssitente e disse que tem conhecimento para desenvolver esse trabalho, pois já realizou diversos cursos e está credenciado no Conselho Regional de Terapia Holística (CRT), número 23.675. Ele e seu assistente possuem, inclusive, carimbos com nomes e números de registro do CRT. Os dois negam a manipulação de fórmulas e alegam que só envazavam produtos prontos, o que é desmentido pelo delegado.

Pelas declarações, a dupla atendia de 15 a 20 clientes por mês, em média, e já estava se preparando para cessar com a atividade. “Não queríamos trabalhar na ilegalidade”, disse Valdecy. A declaração partiu após a dupla ser indagada se sabia que estava fazendo algo ilegal.

Currículo

Os detidos afirmam que realizaram cursos para a prática dessa atividade. Para tanto, possuem uma espécie de currículo onde constam experiências em terapias naturais como: aurículoterapia, fitoterapia, geoterapia, quiroterapia, massoterapia, do-in, iridologia, acupuntura, hidroterapia e shiatsu. Essa informações serão averiguadas em investigações futuras da polícia.

A Vigilância Sanitária de Pinhais foi comunicada da prisão dos indivíduos e deve recolher o restante do material que ficou na clínica. O delegado Gerson Machado espera que as vítimas dos “curandeiros” comecem a procurar a delegacia, logo após a fotografia deles, associada ao crime, seja divulgada. “Os produtos comercializados por eles não trazem nenhum benefício aos clientes. As pessoas foram enganadas, lesadas e isso é crime de estelionato”, explicou o policial.

Na semana passada, outro homem foi preso em São José dos Pinhais, pela prática do mesmo crime. José Carlos Delfino, 39 anos, trabalhava há dez anos com a manipulação de “remédios”, que curavam doenças que a medicina até hoje não conseguiu curar com câncer e aids. Ele se intitulava terapeuta naturalista e atendia há 10 anos em grupos de igrejas.