Alex: experiência para agilizar a Dinarc.

Criada há pouco mais de um ano, a Divisão de Narcóticos (Dinarc) da Polícia Civil do Paraná até hoje não conseguiu mostrar a que veio. A meta era dar um efetivo combate ao comércio de drogas em todo o Estado, porém, espremida no antigo prédio que abriga também a Delegacia Antitóxicos, na Avenida Batel, mal conseguiu se estender por algumas salas, quanto mais coibir a praga do tráfico de entorpecentes. Agora, porém, ao designar um novo titular para o cargo de chefe da Dinarc, o comando da Polícia Civil diz que vai “olhar com bons olhos” a caçula das divisões policiais e equipá-la de tal forma que possa pelo menos brigar de frente com os bem armados e municiados traficantes.

O delegado Alex Olguerd Danielewicz – um daqueles da velha guarda da Polícia Civil – já trabalhou na Antitóxicos por cinco vezes. Agora assume a chefia de Dinarc e quer fazer um bom trabalho. “Nós sabemos das dificuldades, mas também temos experiência nessa área”, diz ele, cuja primeira passagem pela delegacia data de 1970. Depois esteve ali em 1979, em 1986 e em 1995, daí já como chefe da Divisão de Investigações Criminais (DIC). Entre 86 e 95 ele comandou a especializada durante um período. “Vamos aliar a experiência aos novos equipamentos e também ao trabalho de outras polícias, como a Militar e a Federal”, garante Danielewicz. Outra proposta dele é contar com o possível apoio do DEA, um órgão dos Estados Unidos criado especialmente para combater o tráfico de entorpecentes.

Arrumando a casa

Por enquanto, o novo titular da Dinarc está “arrumando a casa”. A divisão vai sair do antigo prédio do Batel – que está caindo aos pedaços e mal consegue abrigar a delegacia – e irá ocupar o sétimo andar do prédio da Polícia Civil, na Rua José Loureiro, no centro de Curitiba, onde ficam todas as demais divisões policiais. “A proximidade com o delegado-geral é importante para a tomada rápida de decisões”, diz Danielewicz. “Poderemos conversar sempre sobre o andamento dos trabalhos e cobrar também os equipamentos e pessoal”, salienta.

A Delegacia Antitóxicos continuará dividindo espaço com o Grupo Fera, outra unidade criada para lutar contra o tráfico, mas que não tem apresentado muitos resultados recentemente. Haverá um reforço de policiais na delegacia, que passará a contar com dois delegados operacionais de peso: Luiz Gonzaga da Silva, que também já trabalhou na delegacia por mais de 10 anos, e Rosalice Benetti. Autoritários e exigentes, eles terão a missão de desenvolver operações especiais que realmente resultem em apreensões de drogas e prisões.

“O Grupo Tigre vai ficar circulando pelas ruas. Estamos recebendo viaturas novas, para substituir as antigas e equipamentos mais modernos, como câmaras de vídeo e outros”, informou o delegado. Já a delegacia vai ter que agilizar suas investigações e checar informações que – espera-se – sejam transmitidas pelo “disque-denúncia”, um número de telefone que será reativado e amplamente divulgado para a população. “Polícia trabalha com informação e a população tem que cooperar para que se lute contra as drogas de forma efetiva”, afirma Danielewicz.

Outras unidades internas da delegacia, como a de repressão, inteligência e apoio operacional, também passarão a ser mais cobradas. E o Centro de Prevenção, que faz palestras para usuários de drogas e suas famílias e ainda encaminha os viciados para hospitais e tratamentos, continuará com seu trabalho, que é tido como modelo e já ajudou muita gente.

Para o delegado, situação é alarmante

Do alto da experiência de quem está há mais de 30 anos na polícia, Alex Danielewicz recorda das discussões em torno do tráfico de drogas já em 1986, quando a polícia se preocupava com o futuro deste comércio. “Já naquela época a gente dizia que tráfico de tóxicos era caso de segurança nacional. As fronteiras tinham que ser bem patrulhadas pelo Exército, Marinha e Aeronáutica, para que os traficantes não ganhassem terreno. Isso não aconteceu e agora deparamos com uma situação alarmante”, disse ele. O policial, no entanto, não acredita que o Paraná possa chegar a uma situação como a que está sendo enfrentada pelo Rio de Janeiro. “Vamos trabalhar contra isso”, garante.

E a população, cada vez mais assustada com o avanço das drogas, que hoje atingem famílias de todas as classes sociais, espera que as promessas sejam cumpridas. Nos últimos dois meses – abril e maio – os resultados apresentados pela Dinarc indicam que realmente o trabalho precisa ser agilizado. Em todo o Paraná, em abril, foram presos apenas 24 traficantes e 12 usuários, ocorrendo as apreensões de 206 quilos de maconha, um quilo e 650 gramas de cocaína e um quilo de crack. Em maio foram feitas 35 prisões de traficantes, 11 de usuários, e foram apreendidos 476 quilos de maconha, 105 gramas de cocaína, 76 pedras e outros 44 gramas de crack. (MC)