A teia formada por dezenas de policiais civis acusados de pertencer à rede de pedofilia, associada a extorsões, se desfaz a cada dia. Mais um delegado e quatro policiais civis, podem ser presos, ainda neste fim de semana, pela Corregedoria da Polícia Civil. Com as novas prisões, sobe para 21 o número de envolvidos. Ontem, a delegada Deise Dorigo Barão pediu prorrogação no prazo para a conclusão do inquérito policial, e Luciana Polerá Correia Cardoso foi transferida ao Sistema Penitenciário.

Durante a tarde, era forte o boato de que a delegada teria solicitado a prisão temporária contra os novos acusados. Com o longo interrogatório de Luciana, ocorrido na madrugada da quarta-feira, a Corregedoria teria conseguido fortes indícios para incriminar pelo menos cinco policiais. Antes de se entregar, Luciana já havia prometido que suas revelações iriam auxiliar, e muito, nas investigações. O advogado da acusada, José Feldhaus, acredita que a colaboração dela irá ser útil para a redução de sua pena.

Com forte escolta policial, Luciana deixou a Corregedoria da Policia Civil e foi transferida à Penitenciária Feminina de Piraquara. Pela gravidade dos crimes de que é acusada, Feldhaus solicitou à direção do presídio para que a jovem fique isolada em uma cela por pelo menos 20 dias.

Prazo

A delegada pediu a prorrogação, por mais 30 dias, para a conclusão do inquérito policial. O prazo foi solicitado para que novas investigações sejam feitas.

O Ministério Público deu parecer favorável ao pedido, cabendo agora à Vara de Inquéritos Policial (VIP) autorizar ou não a prorrogação. No próximo dia 17, vence o prazo da prisão temporária dos acusados, que poderá ser prorrogada por mais 30 dias. Entretanto, a delegada que preside o inquérito deve pedir a prisão preventiva dos envolvidos, uma vez que, de acordo com o Código de Processo Penal, esta prisão é expedida quando há prova da existência do crime e indício de forte autoria. Além disso, a prisão preventiva também é decretada como garantia da ordem pública, e conveniência da instrução criminal. Caso a Corregedoria não faça os pedidos, os acusados poderão ganhar liberdade antes do desfecho do inquérito policial.

Com a conclusão dos trabalhos da Corregedoria, os documento seguem para o Ministério Público, que ficará responsável pelo oferecimento das denúncias.

Desde o dia 28 de abril, 14 pessoas estão presas e duas delas foram libertadas. Além de Luciana, estão atrás das grades o tio dela, Lincon Lima Santos, nove policiais civis, dois agentes administrativos e uma funcionária do Estado, que exercia irregularmente a função de policial civil. Os delegados Moisés Américo de Souza Neto e Edson José Costa, titular e adjunto do 4.ºDP, foram soltos na madrugada da última segunda-feira, por força de um habeas corpus. Ambos estão indicador e poderão voltar para a cadeia caso o Ministério Público decrete suas prisões preventivas.