Considerado o maior traficante de drogas de Curitiba e região e um dos principais do Paraná, Eder Souza Conde, 34 anos, foi preso na manhã de ontem pela Polícia Federal.

Ele seria responsável por movimentar 400 quilos de cocaína por ano e aproximadamente R$ 6 milhões. Mais dez pessoas foram detidas, todas com mandado de prisão preventiva, entre elas a namorada de Eder, Suzimara Lima Steff, que foi segunda colocada no concurso Miss Curitiba 2010.

Também foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão, inclusive na mansão do traficante, avaliada em R$ 1 milhão, no Alphaville, em Pinhais. Cerca de 40 carros, muitos deles de luxo, foram apreendidos e imóveis foram confiscados.

Eder tinha brevê de piloto e possuía um avião de pequeno porte, que segundo a polícia, não era usada para tráfico de drogas. Ele dirigia, atualmente, um Porshe e comprou uma Ferrari, que ainda seria montada. A aeronave estava desmontada e também foi recolhida pela PF.

Noitadas

Eder era o principal alvo das investigações. O rapaz era costumeiramente visto nos camarotes das principais casas noturnas. Por conta disso, a operação foi batizada de Ressaca.

“Ele gostava de ostentar bens e levar uma vida luxuosa, com dinheiro proveniente do tráfico. Estava sempre na noite e sabíamos que um dia a ressaca chegaria”, disse o delegado da Polícia Federal, Wagner Mesquita.

Numa dessas noitadas, Eder conheceu Suzimara. O delegado lembrou que, no início da relação, a garota sabia de seu envolvimento com o crime, mas não participava da atividade. “Porém, durante as investigações, apuramos que ela também passou a comercializar os entorpecentes”, afirmou Mesquita.

Viagens

A operação começou há um ano. Conforme apurado pela polícia, Eder encomendava a droga em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. “A cada três ou quatro meses, ele viajava para tratar diretamente com os fornecedores. Permanecia lá por uma semana, combinava as formas de entrega e voltava”, disse Mesquita.

A cada viagem, Eder encomendava cerca de R$ 250 mil em cocaína, que eram pagos com diversos depósitos pequenos, realizados por familiares e conhecidos do traficante.

A droga era enviada em partes para Curitiba, sempre por meio terrestre. “Quando chegava, era distribuída em bocas de fumo da capital e da região metropolitana”, detalhou o delegado.

Divulgação/PF
Eder envolveu Suzimara, candidata a miss, na criminalidade.

Carros pra “lavar” grana

Desde quando passou a dominar o comércio de drogas na Vila Nossa Senhora da Luz, na Cidade Industrial, em 2002, até tornar-se o maior traficante de Curitiba, Eder levantou patrimônio estimado pela polícia em R$ 10 milhões.

O dinheiro precisava ser “esquentado” de alguma forma. Porém, a única empresa existente em nome de Eder é o Auto Guincho Perpétuo Socorro, no Tatuquara, que está inativo.

“Não há movimentação financeira nessa empresa. Ele lavava o dinheiro comprando bens em nome de terceiros, como a mansão no Alphaville, que está no nome da irmã”, explicou Mesquita.

Segundo a polícia, Eder também lavava dinheiro com a loja de carros Lenus Car, na Rua Pedro Gusso, Capão Raso. “A empresa era gerenciada por Rodrigo Longuinho, que também foi preso na operação.

Com o dinheiro do tráfico, Eder comprava os veículos, que eram postos à venda na loja”, contou Mesquita. O local foi fechado pela polícia e todos os carros foram apreendidos.

Dez anos sob suspeita

Eder Souza Conde é conhecido da polícia desde 2000, qu,ando foi detido pelo morte de Roberson Carlos Santos, o “Juruna”, e liberado por falta de provas. Dois anos depois, foi acusado de mandar matar Eva Antônia Silveira, a “Evinha do Pó”, que na época dominava o tráfico de cocaína em Curitiba.

Em 2005, Eder foi preso na Operação Tentáculo, resultado da investigação do assassinato do major Pedro Plocharski, comandante interino do 13.º Batalhão da Polícia Militar.

O major foi executado numa emboscada, quando voltava para casa, em janeiro daquele ano. Na época, apurou-se que Plocharski investigava uma quadrilha formada por traficantes, advogados e policiais corruptos, e teria sido morto por esse motivo. Mais de 30 pessoas foram presas, entre elas nove policiais militares.

Por se tratar do traficante que mais movimentava drogas em Curitiba, Eder ficou conhecido como o “Fernandinho Beira-Mar do Paraná”. Porém, o delegado Wagner Mesquita deixou claro que o faturamento de Eder nem se compara ao do traficante carioca.