Ao contrário de outros garotos, que passaram a manhã chuvosa de terça-feira estudando ou brincando em casa, Alisson Silvestre Baroa, 15 anos, saiu cedo para trabalhar, e morreu durante o serviço. O garoto foi a quarta vítima fatal de acidente de trabalho, em Curitiba, em menos de duas semanas.

Alisson foi contratado para montar biombos num prédio que passa por reforma, na Avenida Marechal Floriano Peixoto, no Rebouças, em frente ao quartel do Comando Geral da Polícia Militar.

Por volta das 10h30, uma pilha de compensado caiu sobre o garoto. As 17 chapas que ele utilizava na montagem estavam encostadas na parede. O Siate foi chamado para tentar socorrê-lo, mas Alisson morreu na hora, com ossos do peito e crânio fraturados.

Equipamentos

De acordo com o cabo Cesar, do 12.´ Batalhão de Polícia Militar, o garoto não usava equipamentos de segurança obrigatórios em uma obra. Outros adolescentes também trabalhavam no local.

A polícia não soube informar em que circunstâncias eles foram contratados. “O que nos deixa mais tristes é ver um garoto novo, aprendendo a viver, morrer de uma forma trágica como esta”, lamentou o policial.

O nome da empresa que contratou Alisson não foi divulgado. Vários homens, vestidos de terno e gravata, entraram e saíram do prédio várias vezes durante o trabalho do Instituto de Criminalística, porém nenhum deles admitiu ser responsável pela obra ou pela empresa de montagem. Equipes de reportagem foram impedidas de entrar no prédio.

Investigação

Marcelo Vellinho

Os pais de Alisson registraram boletim de ocorrência no Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Nucrisa). “Vamos apurar se a empresa fornecia as condições de segurança e medicina no trabalho. Caso seja verificado que o ambiente oferecia risco ou que não havia treinamento adequado, e que isso teve consequência direta na morte, o responsável responderá por homicídio culposo”, afirmou a delegada Paula Christiane Brisola.

A polícia aguarda os laudos do Instituto de Criminalística e o relatório de inspeção do Ministério do Trabalho. “A empresa terá que comprovar, com documentação, que a contratação do adolescente era regular, mas, em princípio, era irregular”, disse a delegada.

Mês marcado por tragédias

Marcelo Vellinho

Alisson foi a quarta pessoa a perder a vida em acidente de trabalho, nos últimos 11 dias, em Curitiba. Na manhã de 19 de agosto, o gerente de um posto de combustíveis Renivaldo Pereira dos Santos, 29 anos, morreu na explosão de um caminhão, no pátio do estabelecimento, na Avenida Victor Ferreira do Amaral, Capão da Imbuia.

Ele conversava com um funcionário, atrás do veículo, e foi atingido pela tampa do tanque, arremessada na explosão. Na tarde de quarta-feira da semana passada, duas pessoas morreram durante o trabalho.

Odair da Silva Fortes, 29, instalava placas de policarbonato no telhado de um sobrado, na Cidade Industrial, quando a barra de ferro que ele segurava encostou num fio de alta tensão. O instalador morreu na hora.

Dois

Praticamente no mesmo horário, Roberto Carlos Novinski, 28, morreu numa obra no gramado dos fundos do Museu Oscar Niemeyer, no Centro Cívico. Ele fazia manutenção das galerias pluviais quando houve um deslizamento e ele foi soterrado.