Por quatro votos a três em júri popular, após quase 15 horas de julgamento, Cleverson Petrecelli Schmitt, de 19 anos, foi absolvido ontem da acusação do assassinato do escritor Wilson Bueno, morto com uma facada no pescoço em maio de 2010. De acordo com a defesa, a falta de provas periciais contra Cleverson influenciou a decisão dos jurados. O resultado deixou a família do escritor indignada.

O julgamento no Tribunal do Júri teve início na segunda-feira às 13h30 e terminou por volta das 4h15 de ontem. O advogado de Cleverson, Matheus Gabriel Rodrigues de Almeida, explicou que não existem provas de que o rapaz seja o autor do crime, ou seja, as provas coletadas na fase de inquérito policial seriam frágeis e não colocaram Cleverson na cena do crime. Com isto, apesar da confissão do suspeito na época do homicídio, as provas produzidas depois, durante a fase processual, não sustentaram o depoimento inicial.

Sobre a faca apresentada como arma do crime, Matheus afirma que ela não seria “capaz de produzir as lesões descritas no laudo de necropsia”. Desta forma, a verdadeira arma nunca teria sido achada. Ainda segundo o advogado, a promotoria tem cinco dias para apresentar um recurso de apelação junto ao Tribunal de Justiça do Paraná, mas as chances de uma mudança na decisão são poucas. “Por uma questão constitucional a decisão do júri é soberana, então deve ser mantida’, explica.

O irmão de Wilson, João Santana, está revoltado com o resultado. “Eu estive junto quando o Cleverson deu o depoimento. Ele confessou livremente, não pareceu torturado ou espancado”, comenta. “Estou pensando em ir a Brasília nesta semana para pedir um apoio ao Supremo Tribunal Federal (STF), para que reveja isso”.