Foto: Chuniti Kawamura/Tribuna

Delegada Paula Brisola acredita
que haja mais vítimas.

A irmã da menina, que não quer que seu nome seja divulgado, concedeu entrevista coletiva, na manhã de ontem, na sede do Nucria, onde contou como tudo aconteceu. Segundo ela, a garotinha foi deixada no parque pela mãe, que fazia compras na loja de roupas infantis Caverna do Dino, anexa ao espaço recreativo. Quando voltou para apanhar a filha, meia hora depois, ela percebeu que a criança estava chorosa, mas não conseguiu que a menina contasse o que tinha acontecido. Nos dias seguintes, a criança se queixou de dores, mas alegou que havia caído de um brinquedo.

?Apenas alguns dias depois, ao se sentir segura e receber muito carinho de meus pais, minha irmã contou, aos prantos, o que havia acontecido. Ela disse que, ao entrar no parque, não chegou sequer a ter acesso aos brinquedos.

Foi diretamente levada ao banheiro do espaço recreativo por um dos monitores.

Ele baixou sua calcinha, tapou sua boca e introduziu alguma coisa em seu ânus (ainda não se sabe o que foi introduzido). Depois, ao soltar minha irmã, ele falou que se ela contasse alguma coisa à alguém mataria ela e minha mãe. É um absurdo, mas existe apenas um banheiro no parque que é usado por meninas e meninos?, contou a irmã da vítima.

Após o desabafo da criança, a irmã dela foi ao parque, inventou que tinha um filho e que gostaria de fazer ali uma festa de aniversário. Desta forma, conseguiu fotografar o local e também alguns funcionários. Ao mostrar as fotos dos monitores para a garotinha, ela imediatamente reconheceu Vinícius como o agressor.

?Vinícius nega que tenha cometido o crime, mas além de ter sido reconhecido nas fotos, ele foi apontado pela menina, após ter sido preso, na delegacia?, diz a delegada do Nucria, Paula Brisola. O monitor responderá por atentado violento ao pudor e, caso condenado, pode pegar até dez anos de prisão.

Representantes da loja Caverna do Dino afirmaram que irão auxiliar a polícia no que for necessário até a conclusão das investigações. Já o Shopping Estação preferiu não se manifestar sobre o caso.

Desequilibrado deve ficar preso

A Promotoria de Inquéritos Policiais, do Ministério Público do Paraná, ofereceu denúncia criminal contra Vinícius de Mattos Faria, 22 anos, por abuso sexual. Ele é acusado de violentar uma menina de 5 anos no banheiro da loja Caverna do Dino, no Shopping Estação, e de ameaçar a criança para evitar que fosse descoberto. A denúncia é assinada pela promotora de Justiça Luciana Linero.

Segundo apurado pelo Ministério Público, Vinícius, que trabalhava como monitor no parque temático Caverna do Dino, teria abusado da menina no início da noite de 3 de setembro. Aproveitando-se de sua função, ele conseguiu levá-la ao banheiro do espaço recreativo da loja. De acordo com o Ministério Público, o monitor agrediu, ameaçou e violentou a criança. O fato foi comprovado em laudo emitido pelo Instituto Médico-Legal. Vinícius está detido no Centro de Observação Criminológica e Triagem da capital. Seu advogado entrou com pedido de revogação da prisão temporária do orientador, mas o Ministério Público se pronunciou pelo seu indeferimento. O MP também pede para que seja decretada a prisão preventiva dele, já que o monitor está preso apenas temporariamente.

Mais vítimas

A delegada do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crime (Nucria), Paula Brisola, suspeita que haja outras vítimas. Diante da revelação de que Vinícius teria ameaçado a menina de morte, a delegada acredita que possa ter ocorrido o mesmo com outras crianças, que teriam se calado, por medo.