Usuário de drogas com transtornos mentais, desesperado desde que cometeu um homicídio e passou a ser perseguido pela polícia, Gilmar Bandure, 29 anos, protagonizou uma noite de fúria, em Araucária. Depois de quase 10 horas mantendo refém na casa da ex-mulher, ele reagiu à abordagem da polícia e foi morto.

Gilmar mandou uma mensagem para o celular da ex-sogra, mandando tirar os filhos da casa porque ele iria matar a ex, mas ao chegar na casa da mulher só pediu dinheiro para pagar um advogado. Passavam das 20h de terça-feira (18), quando bateu à porta da residência, na Rua Gerânios, Jardim Tupy.

Vizinhos

A mulher disse que não tinha o dinheiro e ao perceber o descontrole do rapaz, vizinhos chamaram a Polícia Militar. Gilmar recebeu a primeira viatura com dois tiros, mas não feriu ninguém. Na confusão, a mulher conseguiu fugir e proteger os quatro filhos, mas o tio dela foi mantido refém por Gilmar dentro da casa.

Em poucas horas, os policiais cercaram a casa e chamaram apoio do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). Negociadores tentaram convencer Gilmar a se entregar, mas ele estava irredutível e não fazia muitas reivindicações.

“Oferecemos advogado e outras alternativas para que ele se rendesse de forma pacífica, mas por volta das 2h30 encerrou a conversação com ele. Tentamos contato por telefone, contato verbal e não conseguimos. Optamos pela invasão tática do local”, explica o major Hudson, subcomandante do Bope.

Explosão

Depois das 5h de ontem, os policiais perceberam que Gilmar tinha bloqueado as portas com móveis e explodiram a entrada. “Ele efetuou disparos contra os policiais, houve o revide e ele foi ferido. O refém foi liberado sem nenhum ferimento”, conta o major. Gilmar foi socorrido pelo Siate, mas morreu a caminho do Hospital Municipal de Araucária.

Assassino do amigo

No início do mês, Gilmar pegou carona com o amigo Vilson Vargas, 37 anos, que ira tentar arrumar um emprego para ele. No meio do caminho, matou Vilson com tiro na cabeça e fugiu. O delegado Anderson Franco, da Delegacia de Homicídios, conseguiu falar com ele por celular horas depois e percebeu que o rapaz estava descontrolado. Gilmar alegava que cometeu o crime porque era perseguido por um fazendeiro fantasma. Desde então era procurado pela polícia. “Ele ficou preso sete anos por roubo e foi preso pela Polícia Federal com notas falsas”, conta o major Hudson, do Bope.