Quatro anos se passaram e até agora o assassinato do bicheiro Almir José Hladkyi Solarewicz, ocorrida no dia 20 de setembro de 2000, no Centro Cívico, continua obscuro. O único preso, acusado de participação na morte, Otaviano Sérgio Carvalho de Macedo, o “Serginho”, deve ser levado em julgamento em breve. Os bicheiros Francisco de Paula de Castro, o “Chico Feitosa” (chefe da cooperativa de bicheiros existente no Paraná), e Fúlvio Martins Pinto, apontados como os mandantes do crime, em investigações realizadas anos após a execução pelo delegado Gerson Machado, não foram presos. Ambos negam qualquer envolvimento no caso. “Forças causais, cegas, eco-surdas, não deixam esta investigação chegar a um final e expõem a sociedade”, salientou o advogado Cláudio Dalledone Júnior, que defende a família de Almir.

Ele lembrou que, desde a época do crime, a mulher de Almir, Ivana Vasconcellos e os filhos dele, vivem escondidos e temem ser mortos a mando das mesmas pessoas que executaram Almir. É um homicídio que destruiu uma família. As primeiras investigações não tiveram força alguma, se resumiram na prisão do “Serginho” e estacionaram. Tempos depois, o delegado Gerson Machado fez uma investigação consistente e colheu depoimentos de várias testemunhas, que levaram a polícia a concluir que o jogo do bicho não só executou Almir Solarewicz, mas outras pessoas ao longo de vários anos. Depois das investigações, o delegado, que era titular do 6.º Distrito (Cajuru), foi transferido para a Delegacia de Furtos e Roubos, onde permaneceu por pouco tempo e hoje é titular da delegacia de Pinhais, na Região Metropolitana. Então as investigações pararam por completo. “Pedi para que a Promotoria de Investigação Criminal (PIC) dê continuidade ao caso para que os mandantes sejam punidos. Há uma investigação completa, mas nada se fez”, lamenta Dalledone.

O defensor, que deverá atuar como assistente da promotoria no julgamento de “Serginho”, diz que irá defender a tese de que se trata de um crime por encomenda. “Pesquisei e em todo o Brasil há crimes relacionados com o jogo do bicho, que marcam a nossa história. A crônica policial está recheada de mortes”, salienta o advogado.