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Alexandre era de São Paulo,
mas vinha aprontar aqui.

Alexandre Igor Dourado, 29 anos. Esse é o nome do homem morto durante o assalto contra um juiz de direito, na noite da última segunda-feira, no bairro Bigorrilho, em Curitiba. O reconhecimento do corpo foi feito pela esposa no IML. Ela também prestou depoimento à polícia e forneceu dados que comprovaram as suspeitas iniciais do delegado Rubens Recalcatti, da Delegacia de Furtos e Roubos. A intenção do assaltante era levar o relógio Rolex da vítima. Alexandre é natural de Francisco Morato (SP), cidade de origem de grande parte dos assaltantes que vêm a Curitiba com o objetivo de roubar relógios caros, principalmente da marca Rolex. Esse relógio, inclusive, tem mercado receptivo naquela cidade e é comerciado facilmente por preços bem abaixo do que realmente valem.

A esposa de Alexandre relatou que eles estavam separados há cerca de vinte dias e que, na noite de segunda-feira, recebeu um telefonema em sua casa informando que o marido havia sido morto durante um assalto na capital paranaense. De acordo com Recalcatti, a ligação telefônica foi realizada por um comparsa de Alexandre – que dava cobertura no momento em que ocorreu a abordagem ao juiz, durante um congestionamento de trânsito na Rua Capitão Souza Franco quase esquina com Avenida Martim Afonso. A DFR já tinha a informação de que um homem, em uma motocicleta de cor azul, também estaria envolvido na tentativa de assalto. Quando o roubo deu errado, esse indivíduo desapareceu.

Ainda de acordo com o depoimento da mulher, Alexandre já cumpriu pena por roubo em Junqueirópolis (SP). Passou quatro anos preso por roubo de veículos.

Comércio

O interesse de ladrões paulistas nos relógios dos curitibanos não é recente. Em 2003, essa modalidade de assalto chamou a atenção da polícia paranaense, tanto que em outubro daquele ano investigadores da DFR viajaram para Francisco Morato e, com o auxílio da polícia de São Paulo, identificaram diversos integrantes de uma quadrilha especializada em roubo de relógios de marca. No ano passado, esses delitos continuaram ocorrendo com certa freqüência em Curitiba, principalmente nos bairros Batel e Bigorrilho e no centro. Em um desses casos, o empresário Yarede Yared Filho, 46 anos, perdeu a vida ao se recusar a entregar o seu Rolex a assaltantes. Ele foi baleado dentro de sua Cherokee e morreu logo após dar entrada no Hospital Santa Cruz.

Em 2004, as polícias civil e militar chegaram a realizar prisões de ladrões de relógios na capital, mas isso não abalou os marginais. Eles continuam viajando do estado vizinho para roubar aqui. Integrantes de quadrilhas se revezam em viagens constantes a Curitiba, muitas delas feitas em ônibus. Os ladrões chegam pela manhã, realizam delitos e retornam à noite para sua cidade de origem. Era assim que Alexandre pretendia agir. Mas tudo deu errado e ele foi morto com um tiro na boca.