A marcha do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) que saiu de Ponta Grossa no último dia 10 em direção a Curitiba passou ontem por São Luiz do Purunã e deixou por quatro horas as cancelas do pedágio abertas, como forma de protesto. Amanhã, eles pretendem chegar até Campo Largo, para prestar uma homenagem ao agricultor Antônio Tavares Pereira, morto em confronto com a polícia, em de maio de 2000. Na próxima terça-feira, já em Curitiba, pretendem participar de reuniões com o governo do Estado e com o Incra.

Desde quinta-feira, o grupo faz uma caminhada de 85 quilômetros até Curitiba. A marcha é pela paz, pela reforma agrária e para lembrar os sete anos do massacre em Eldorado dos Carajás, no Pará, quando 19 trabalhadores morreram em confronto com policiais. O movimento se repete em todo o País.

Ontem, os sem-terra ocuparam as cancelas do pedágio perto de Ponta Grossa das 10h20 às 14h. Caminhões e carros de passeio que passavam pelo local apoiavam a medida com buzinaço. Segundo um dos coordenadores da marcha, Célio Rodriguez, eles ocuparam a praça porque são contra tudo o que faz mal para a sociedade. “Quando a gente for embora, vai voltar a roubalheira do pedágio”, afirmou. A intenção de ontem era prosseguir até Itaqui, distrito de Campo Largo, onde iriam montar as barracas para passar a noite.

Amanhã, os manifestantes pretendem chegar até o monumento erguido em homenagem ao agricultor morto em 2000 e fazer um ato público, lembrando a morte dele e de outros do movimento. No terça-feira, em Curitiba, querem se reunir com o governo do Estado e Incra, para falar sobre as necessidades dos acampamentos e a reforma agrária no Paraná. A Polícia Rodoviária Federal está acompanhando a marcha. (Elizangela Wroniski)