“Comi a sua mulher dentro do carro”, teria dito o porteiro Marcelo de Oliveira, 23 anos, ao “amigo” Luiz Antônio Antoniácomi, 20, pouco depois de saírem juntos para uma volta no Jardim Weissópolis, Pinhais, ontem de madrugada. A frase fez subir à cabeça o sangue de Luiz, que, acreditando ter sido realmente enganado, disparou cinco vezes, acertando um na barriga de Marcelo. O ferido morreu horas depois no hospital e o desconfiado Luiz acabou preso em flagrante pela Rone.

Vizinhos e conhecidos desde a infância, os dois amigos combinaram um passeio pelo bairro onde moravam, na Caravan de Marcelo. Mas o porteiro, carregado de segundas intenções, teria deixado Luiz esperando em outro local e se dirigido até a casa do velho camarada.

Pouco mais tarde eles se reencontraram e Marcelo teria confessado ao amigo que transou com a esposa dele no carro. “Eu subi e ela estava trocando de roupa. Perguntei o que aconteceu e ela jurou que não houve nada. Mas tenho certeza que estavam juntos. Ela não iria fazer isso em casa, na frente das crianças”, afirmou Luiz.

À 1h30, nervoso, o marido foi tirar satisfações com o colega, armado de um revólver calibre 38. “Foi um acidente. Na hora que saí dei um tiro para cima, aí fui conversar com o rapaz e a arma disparou. Só queria assustar”, alegou Luiz. O depoimento não convenceu a polícia. “Havia cinco cartuchos deflagrados no revólver dele. Difícil ter sido acidente”, afirmou o investigador Valdemir, da delegacia de Pinhais.

Atingido por um balaço que entrou na barriga e saiu nas costas, o porteiro apanhou a Caravan e tentou fugir. Parou na Avenida Iraí, três quadras adiante, onde foi levado por parentes até o Hospital Cajuru. Uma viatura da Rone passou por ali e os policiais, informados do caso, de imediato detiveram Luiz, ainda na casa dele. O rapaz foi preso sem reagir e levado à DP de Pinhais. Marcelo morreu no hospital às 4h.

Luiz disse que comprou a arma na Vila Trindade, para se defender de algumas pessoas que o juraram de morte. Há poucos meses ele foi baleado no pescoço na Vila Tarumã, em Pinhais, caso que, segundo afirma, não tem relação alguma com Marcelo. A DP de Pinhais não soube informar se o detido tem antecedentes criminais. (CS)