O seqüestro de uma criança de 8 meses, ocorrido por volta das 12h de ontem, no Uberaba, pode levar a polícia a uma quadrilha, especializada em roubo de crianças, que age em Curitiba. As acusadas do crime, Rutinéia Carvalho dos Santos, 38 anos, e Alessandra da Silva Francisco, 21, vindas do Rio de Janeiro, foram encaminhadas por policiais militares até ao Grupo Tigre, que deteve outras pessoas suspeitas de participar do esquema.

As primeiras informações são de que mãe e bebê estavam no posto de saúde, porque a avó da criança tinha sofrido um acidente. Oferecendo ajuda, Alessandra perguntou se podia tomar conta do bebê e a mãe permitiu. Porém, percebendo que a ?ajudante? havia saído do posto, com Rutinéia e a criança, a mãe correu desesperada atrás das seqüestradoras, e conseguiu carona com um motorista que lhe ofereceu ajuda.

Eles perseguiram o táxi onde estavam as mulheres até a Avenida Comendador Franco (Avenida das Torres), no mesmo bairro. O motorista fez sinal para um caminhoneiro, que ?fechou? o táxi e interrompeu a fuga.

Moradores da região chamaram a polícia, que prendeu as cariocas. Junto com as seqüestradoras foram encontradas uma bolsa com artigos para bebê e uma certidão de nascimento falsificada. O falso documento levanta a suspeita de que a dupla teria escolhido a criança anteriormente, porque o bebê seqüestrado nasceu apenas dois dias antes data da certidão. As mulheres também carregavam seis fotos de crianças.

Acusada queria agradar ao marido

Ao ser presa, Alessandra teria dito que era ex-mulher de um traficante do Complexo do Alemão, favela do Rio de Janeiro. Ela teria perdido o bebê do casal, sem que o marido soubesse, uma vez que estavam separados. O traficante queria ver o filho e, a partir daí, Alessandra teria entrado em contato com uma quadrilha de Curitiba, que lhe entregou a certidão de nascimento e informou sobre o bebê a ser seqüestrado.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou que, devido à complexidade do caso, ontem não iria se pronunciar. O Grupo Tigre assumiu o caso e passa agora a investigar se existe realmente uma quadrilha de tráfico de crianças em Curitiba.