Na contramão dos demais estados, no Paraná, o número de negros vítimas de homicídios é menor do que o número de casos de assassinato de “não negros”, segundo dados da pesquisa “Vidas perdidas e racismo no Brasil”, divulgada ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A cada 100 mil habitantes do Estado, 22 negros morrem em casos violentos, contra quase 39 pessoas de outras raças. O estudo também mostrou que a criminalidade diminui em até dois anos a vida de um homem negro e em quase quatro anos, a de um não negro.

Esses dados podem ser explicados pela proporção maior de brancos e pardos, que são 69% e 26% da população paranaense, enquanto negros são apenas 3,39% da população, segundo dados do IBGE referentes a 2011.

Os dados nacionais confirmam que no Brasil, o racismo ainda impulsiona a violência e que os negros continuam sendo as vítimas mais frequentes, proporcionalmente. Todos os anos, 39 mil negros são assassinos no país, contra 16 mil indivíduos de outras raças, aponta a pesquisa. “O negro é duplamente discriminado no Brasil, por sua situação socioeconômica e por sua cor de pele. Tais discriminações combinadas podem explicar a maior prevalência de homicídios de negros”, concluem os pesquisadores do Ipea.

Ranking

Alagoas é o estado que mais tem disparidade entre a violência contra negros e não negros. Para cada pessoa de outra raça vítima de homicídio, 17 negros são assassinados. Espírito Santo e Paraíba seguem logo atrás no ranking dos estados onde mais se matam negros. Em Santa Catarina, a taxa de homicídios é pequena para qualquer raça.