A Delegacia de Piraquara investiga uma nova versão para o caso do rapaz baleado por um policial militar na manhã de 27 de agosto. Márcio Antônio Camargo Neves, 22 anos, que já recebeu alta após levar três tiros, e nega que seja traficante e prestou queixa por tentativa de homicídio contra o soldado Adriano da Silva, lotado no 17.º Batalhão da PM. O ferido alega que foi vítima de vingança, por ter presenciado uma morte em ação policial com a suposta participação do soldado.

Márcio, acompanhado da advogada e de um membro do Conselho Comunitário de Segurança, depôs na terça-feira da semana passada, ao delegado Germino Marques Bonfim. O rapaz relatou que há algum tempo presenciou a morte de um amigo, baleado em operação da Ronda Ostensiva de Natureza Especial (Rone) da qual Adriano faria parte. “Márcio alega que o soldado tentou matá-lo porque sabia que testemunharia contra ele e os demais policiais”, falou o delegado.

Conforme a versão apresentada pelo soldado, “Marcinho” sacou uma pistola assim que se encontraram casualmente às 8h de 27 de agosto, na Rua Fortaleza, Vila Macedo. O PM teria reagido e atirou três vezes, atingindo-o no pescoço, braço e perna. Uma pistola calibre 380, que estaria em poder do baleado, foi recolhida pelo PM. Adriano teria pedido apoio de colegas pelo telefone celular, que chegaram numa viatura e levaram o ferido.

Tumulto

Márcio afirma que o PM estava fazendo “campana” para pegá-lo desde a noite anterior. Diz ainda que, mesmo ferido, foi agredido a chutes durante o transporte ao Hospital Cajuru. A suposta agressão teria sido presenciada pela mãe da vítima, que seguiu a viatura policial. O episódio gerou confusão no Hospital Cajuru, que terminou na prisão de um irmão de Márcio por desacato, e denúncia de agressão à mãe deles por parte de policiais.

Na noite anterior, Márcio, um rapaz conhecido como “Coquinho” e uma terceira pessoa foram abordados pelo soldado Adriano na mesma Vila Macedo. Os dois primeiros estariam comerciando droga, segundo o PM, mas fugiram. Segundo o soldado, um tiro teria sido disparado em sua direção. O acusado negou que estivesse vendendo droga.

Investigação

O delegado Germino concorda que a história continua nebulosa e precisa ser melhor apurada. Ele adiantou apenas que o soldado Adriano foi indiciado em inquérito por tentativa de homicídio.

A advogada Luzia Favetta, integrante de uma das comissões do Conselho Estadual de Direitos Humanos, é assistente do caso. Segundo ela, a Secretaria da Segurança Pública foi informada e montou um grupo especial para acompanhar o caso. “Já se tem algumas informações adicionais que irão ajudar a esclarecer a situação, mas por enquanto elas estão sendo mantidas em sigilo”, comentou.