O inquérito policial sobre a morte de pacientes na UTI do Hospital Evangélico denuncia a formação de uma quadrilha dentro da instituição. O resultado das investigações do Núcleo de Repressão aos Crimes contra a Saúde (Nucrisa) foi entregue na noite de ontem ao Ministério Público, que tem prazo de cinco dias úteis para decidir se apresenta ou não denúncia à Justiça contra os acusados.

A médica Virginia Soares de Souza, ex-diretora da UTI, é apontada pela polícia como a chefe da quadrilha, que seria a responsável pela morte de pelo menos seis pacientes. Os outros integrantes seriam os anestesistas Edson Anselmo da Silva Júnior, Maria Israela Boccato e Anderson de Freitas, além da enfermeira Laís Grossi. Todos eles estão presos temporariamente.

O inquérito, com mais de mil páginas, contém o resultado de cerca de um ano de investigações, conduzidas pela delegada Paula Brisola, do Nucrisa. Fazem parte do documento as transcrições de cerca de 30 horas de interceptações telefônicas, feitas com autorização da Justiça, depoimentos de mais de cem pessoas e centenas de páginas de prontuários médicos.

Segundo a polícia, a conduta dos acusados configura homicídio qualificado, já que as supostas vítimas não tinham a possibilidade de se defender. Virgínia e seus subordinados são acusados de provocar a morte de pacientes, desligando deliberadamente os aparelhos que os mantinham vivos, ou através da aplicação de medicamentos. Testemunhas dizem que ela agia contra pacientes do SUS, em benefício de atendimentos particulares ou de pessoas com plano de saúde privado.

Virginia, de 56 anos, está presa desde o dia 19 de fevereiro. Após ficar nove dias no Centro de Triagem, ela foi transferida para o presídio feminino de Piraquara, onde se encontra atualmente. A defesa da médica nega todas as acusações e contesta a ação da polícia. O advogado de Virginia, Elias Mattar Assad, considera que sua cliente é vítima do “maior erro investigativo e midiático da história”.