No final da noite de sábado, a garota Lavínia Rabeche da Rosa, 9 anos, foi encontrada morta sobre a cama da casa onde morava, no Atuba, com sinais de estrangulamento e suspeita de violência sexual. Acusado de ser o autor do crime, Mariano Torres Ramos Martins, 42 anos, foi detido por moradores vizinhos e preso pela polícia. O fato ocorreu dez dias depois do brutal assassinato da menina Rachel Maria Lobo de Oliveira Genofre, também de 9 anos, que chocou a sociedade curitibana, foi notícia no País inteiro e ainda não foi esclarecido.

Lavínia morava em uma residência humilde, na Rua Theodoro Prazmoski, Vila Esperança, com a mãe, uma irmã mais nova e o padrasto. Apesar das dificuldades, eles às vezes ajudavam Mariano, que se apresentava como andarilho e não tinha lugar para dormir ou comer. Conhecidos da família comentaram que, de vez em quando, ele era recolhido e alimentado na casa.

Na noite de sábado, enquanto o padrasto dormia no sofá da sala, a mãe de Lavínia saiu para telefonar. Mariano aproveitou e pulou a janela da moradia, invadindo o quarto onde dormiam as duas meninas numa mesma cama. Teria então estrangulado e abusado de Lavínia. Ao ouvir a mãe da criança retornando, tratou de se esconder embaixo da cama.

Susto

Ao se acomodar na mesma cama que as meninas, a mãe ouviu um ronco e encontrou o invasor. Desesperada, passou a gritar, expulsando-o dali. Só depois que os vizinhos conseguiram deter Mariano é que ela voltou ao quarto e percebeu que a filha estava desacordada, com marcas no pescoço. A vítima foi levada à Unidade de Saúde do Boa Vista, mas já estava morta. A perícia constatou que a criança havia sido estrangulada, possivelmente com uma corda, e havia manchas de sangue no lençol. Como a garota estava de calça quando foi encontrada, não foi possível perceber sinais de violência sexual. Porém existe a suspeita de estupro, que ainda não foi confirmada pelo Instituto Médico-Legal.

Os vizinhos detiveram Mariano, considerado o principal suspeito do crime, e lhe aplicaram um corretivo. O andarilho estava tão embriagado que sequer tentou fugir. Ele foi ferido na cabeça e levado ao Hospital Cajuru, sob escolta de policiais militares. De acordo com informações da polícia, Mariano era foragido da Colônia Penal Agrícola e tinha dois mandados de prisão expedidos contra ele. No quarto de Lavínia, a polícia apreendeu o par de tênis e o boné do suspeito.

O acusado foi levado para o Centro de Triagem II, em Piraquara.

Versão do acusado não convence polícia

Giselle Ulbrich

Quando o andarilho Mariano Torres Martins Ramos, acusado de matar Lavínia, curou a embriaguês, foi interrogado no Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (Ciac-Sul), ontem pela manhã, e negou ter assassinado a garota.

A explicação que deu à polícia é que andava pela rua, quando viu Lavínia andando de bicicleta. De repente, a garota teria se enrolado em fios de luz que estavam no chão e caído da bicicleta. Mariano disse que resgatou a criança e a levou para dentro de casa. Porém, quando a colocou na cama, já estaria morta.

Alegre e estudiosa

Otília Aparecida Ferraz, diretora da Escola Municipal Anísio Teixeira, onde Lavínia estudava há quatro anos, contou que a menina era muito estudiosa, alegre e educada. Lavínia estudava pela manhã e à tarde participava do contraturno da escola, através do Projeto Anexo Anísio Teixeira. A atividade tinha o objetivo de iniciar as crianças em assuntos culturais e relacionados ao meio ambiente.

Os pais, disse a diretora, sempre estavam em contato com professores para saber dela. Até haviam matriculado a irmã, de 5 anos, para estudar no mes,mo colégio no ano que vem. “Os pais são catadores de papel e trabalham bastante. Mas ele ficou com um problema na perna e, por não poder trabalhar, passava dificuldades financeiras. Estávamos ajudando a mãe a participar do Bolsa Escola, para ajudar no orçamento, até o marido se recuperar”, contou Otília.

O velório de Lavínia foi ontem, no galpão de uma loja desativada, a duas quadras da casa da família. Os moradores do bairro, revoltados com o assassinato, lotaram o velório. A menina será sepultada às 13h de hoje, no Cemitério Municipal do Boqueirão.

Trabalho escolar denuncia estuprador


Márcio Barros

Quatro anos depois de violentar a própria filha, fugir da cidade onde morava, trocar de nome, e constituir nova família, um homem de 65 anos foi preso. Ele é acusado de, em 2004, na cidade de Santa Helena, ter abusado da garota, na época com 12 anos. Ele foi descoberto depois que seu filho, fruto de uma nova união em São José das Palmeiras, município vizinho de Santa Helena, apresentou um trabalho na escola contando qual era o nome do pai. A diretora da escola entrou em contato com o Conselho Tutelar de São José das Palmeiras que acionou a polícia, que logo o encontrou e prendeu.

Em 2004, Celestrino teve mandado de prisão expedido pelo estupro. Mas, logo depois do crime fugiu para o Paraguai, onde viveu dois anos. Em 2006, voltou para o Brasil e se estabeleceu na cidade de Diamante do Oeste, no oeste do Estado. Lá fez novos documentos sem o sobrenome Celestrino, para evitar ser encontrado pela polícia. Depois mudou-se para São José das Palmeiras, na mesma região, onde constituiu nova família e era trabalhador rural.