Duas crianças, uma menina de 9 anos e um garoto de 14 anos, foram feridas por golpe de faca no início da manhã de sábado (02), no bairro Capão Raso. Elas estariam tentando se defender do ataque do ex-padrasto, de 50 anos. O homem, identificado como Antônio Carlos da Silva, teria aproveitado que a mãe das vítimas, a empregada doméstica Josiane Alves de Oliveira, 27 anos, tinha saído de casa para trabalhar, e retornou ao local, pois ainda possuía as chaves do endereço em que ele havia morado durante os três meses de relacionamento.

A vizinha Rosemaria Aparecida Bora Soares disse que ficou desesperada ao ouvir os gritos do garoto de 14 anos. Aos sons de “larga ela, larga ela”, Rosemaria saiu para a rua, assim como outros vizinhos. “Não sabia o que fazer. Alguém chamou a polícia, até que o homem saiu da casa fingindo ter uma faca no peito, aí ele caiu no chão e bateu a cabeça no pedregulho”, descreveu.

O casal Rosane Campos e Lionardo Ramos, também vizinhos da mãe das crianças, imediatamente entrou na casa para socorrer os dois. “Quando vimos que os dois estavam sangrando, colocamos no carro e levamos para o Hospital do Trabalhador”, explicou Rosane.

Em seguida, os policias e bombeiros chegaram ao local e também encaminharam Antônio Carlos para o Hospital do Trabalhador. “Ele deve ficar em observação, já que é um ferimento no crânio, mas sendo liberado irá para o Ciac Sul explicar toda a situação. Ainda não dá para afirmar se o crime dele foi agressão física ou tentativa de abuso”, comentou o aspirante Ekermann, da Polícia Militar.

Segundo Rosemaria, durante a semana Josiane integra a equipe de limpeza da Unidade de Saúde do Pinheirinho e, nos sábados, ainda trabalha como diarista. “Ela foi trabalhar como diarista, para poder levar os filhos pra passear no domingo. De noite ela passou lá em casa pra contar que a mãe dela não poderia ficar com os netos. Como não dá pra perder trabalho, ela pediu para olharmos, já que os filhos de todo mundo aqui brincam juntos. Nunca imaginávamos que isso fosse acontecer”, relatou a vizinha.

Tio fala em tentativa de estupro

O pintor José Gilmar de Oliveira, 37 anos, irmão de Josiane, contou que ela acabou o relacionamento de três meses com Antônio Carlos porque o homem brigava com o filho dela. “É um monstro. Durante o tempo que esteve com a minha irmã, tentou agarrar outra irmã nossa”, acusou. “A Josiane mandou ele embora, para defender o filho. O erro foi esquecer que ele ainda tinha as chaves”, disse José Gilmar.

Na rua, os amigos das crianças agredidas não paravam de falar do quanto os irmãos são bem quistos no bairro e no sangue que viram no rosto do menino. “Acho que o homem queria enfiar a faca no olho dele”, desconfia um dos garotos.

Procurado pela reportagem na noite de domingo, o pintor Vilson Alves de Oliveira, tio das crianças e também irmão de Josiane, contou que elas passaram por cirurgias e que seguem internadas no Hospital do Trabalhador para tratar dos
ferimentos.

“Ao defender a irmã, uma criança de 9 anos com necessidades especiais, de uma tentativa de estupro, meu sobrinho de 14 anos foi atingido com cinco facadas que perfuraram seus pulmões, abdômen e o rosto, na região dos olhos”.

Segundo o tio das crianças, a menina também foi ferida com uma perfuração nos pulmões, mas não foi violentada graças ao irmão. A mãe das crianças, que está muito abalada com o ocorrido, acompanha os dois no hospital.

“Agora a gente só quer justiça, que Antônio Carlos seja preso e condenado por tentativa de estupro e homicídio. O que ele fez foi cruel, principalmente para um homem que também tem filho, um menino da mesma idade do meu sobrinho que ele quase matou”, diz Oliveira.

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