Foto: Alberto Melnechuky/Tribuna
Bebê pagou com a vida
a ignorância do pai.

Colocando fezes na boca do próprio filho – de um ano e cinco meses -Edimilson de Souza Rosa, 25 anos, matou a criança por asfixia, na tarde de domingo. Procurado por policiais militares, ele reagiu à voz de prisão a tiros. Ferido no revide, foi conduzido ao Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul, mas também morreu. O tiroteio aconteceu na Rua Abel Scuissiato, próximo ao terminal do Alto Maracanã, em Colombo, mesmo local em que ele matou a criança.

Andressa de Azevedo Bezerra, 21, mãe de Willian David – o bebê assassinado – e de outro menino de três anos, revelou que há tempos Edimilson vinha dizendo que o filho mais novo não era dele. Após meses recebendo ameaças do marido e tentado separar-se, na tarde de domingo a desconfiança chegou ao extremo. Quando chegou do trabalho, Andressa encontrou uma mancha marrom na boca da criança e percebeu que eram fezes. Ao perguntar para o outro filho o que havia acontecido, ele contou que o pai reclamou que o bebê havia defecado, e então pegou as fezes e colocou-as na boca da criança, dizendo que era para o menino ?aprender a não fazer cocô nas calças?.

Vendo que Willian já não reagia, Andressa tentou salvá-lo, levando-o ao Hospital Angelina Caron, mesmo sendo ameaçada de morte pelo marido, caso ela saísse de casa. ?Quando saí com meus filhos, Edimilson foi dormir armado, pretendendo nos matar quando voltássemos. Quando chegamos no hospital, Willian já estava morto?, disse Andressa.

No hospital, desconfiados do que teria acontecido com o menino, os funcionários questionaram a mãe, que relatou o crime. A polícia foi acionada e procurou o criminoso. Este entrou em confronto com a PM e levou dois tiros no peito e um na cabeça.

Desprezo

Foragido da Colônia Penal Agrícola há cerca de três meses, onde cumpria parte de uma pena de 6 anos por assalto a ônibus, Edimilson não teve nem a ajuda de sua mãe para ser enterrado. Quando morreu no hospital, os funcionários do centro médico ligaram para os familiares dele, no Norte do Estado, e a mãe mandou enterrá-lo como indigente.

Andressa estava grávida de seis meses quando Edimilson foi preso e levado ao 3.º Distrito Policial, nas Mercês. E mesmo engravidando a mulher antes da reclusão, o bandido ainda desconfiava que o filho não fosse dele. ?Depois dessa tragédia não sei o que será do nosso futuro?, finalizou Andressa, referindo-se a ela e a seu outro filho.