O amor de um vidraceiro, de 36 anos, pelo filho de 4 anos, o levou a cometer uma loucura na tarde de ontem, na divisa dos bairros Sítio Cercado e Alto Boqueirão. Ele fez a criança refém, colocando uma faca no pescoço do menino, para garantir que não fosse levado embora, já que sua ex-mulher tem a guarda da criança e está de mudança.
O major Maziero, comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), explicou que o pai e a mãe do menino estão separados há cerca de dois anos. Ela já está em outro relacionamento, mas ambos continuaram morando em casas próximas, no Sítio Cercado, e o vidraceiro constantemente via o filho. Porém, a ex-mulher estava para se mudar para outro bairro.

O homem disse aos policiais que ficou com receio de não poder mais ver o filho e foi até a casa da ex-mulher. Tentou conversar com ela, mas, exaltado e já portando uma faca, pegou a criança e a levou para sua casa, na Rua Operário Santos Dias, por volta das 14h30. Lá ficou com a faca no pescoço da criança. Sua intenção não era machucar o garoto, mas apenas garantir que a criança não seria levada embora.

Policiais militares do 20.º Batalhão tentaram conversar com o pai, mas não obtiveram resultado e foi necessário acionar o grupo de negociadores do Comando de Operações Especiais (COE), do Bope. Depois de 3h30 de negociação, ele decidiu soltar a criança e entregar a faca. “Tivemos que trazer todos os envolvidos (família) e encontrar um consenso para que a mulher não fosse para longe e ele não ficasse sem ver o filho”, explicou o major. Porém mesmo depois da negociação, o vidraceiro permaneceu dentro de casa com outra faca. Novamente os policiais do COE precisaram negociar com o vidraceiro, até ele soltar a arma e sair da casa.

Abraço

Já dentro da ambulância do Siate, recebendo atendimento por um corte na mão, o homem pediu para ver o filho. Os policiais levaram a criança até a ambulância e os dois se abraçaram longamente. Em seguida, a criança desceu, parou no caminho e voltou de repente para dentro da ambulância. Pulou no colo do pai e deu-lhe outro longo abraço.
A criança foi entregue a um irmão do vidraceiro e todos foram levados pela polícia ao Centro Integrado de Atendimento ao Cidadão (Ciac-Sul). No entanto, a mulher disse aos policiais militares que não tinha interesse em dar queixa de ameaça contra a criança. Os dois discutem a guarda do garoto na Justiça.

Negociadores entraram no local. (Foto: Colaboração/Rodrigo)