Foto: Átila Alberti/Tribuna
Juarez teve que ser algemado à maca no trajeto ao Angelina Caron.

Na manhã de ontem, o pânico tomou conta do posto de fiscalização da Receita Estadual, situado no quilômetro 5 da BR-116 -quase divisa com São Paulo. Armado com uma pistola calibre 380, o auditor da Receita Estadual Juarez Francisco Alves, 49 anos, atirou contra policiais militares e ainda ameaçou os próprios colegas de trabalho. Mesmo baleado no braço pela polícia, a negociação para que entregasse a arma durou cerca de quatro horas. De acordo com o delegado de Campina Grande do Sul, Vinícius Martins, a Corregedoria da Receita pretende submeter o auditor a exames médicos e, conforme os resultados, aposentá-lo por invalidez.

Segundo Lang, supervisor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Juarez estava deixando o plantão, por volta das 9h30, quando apanhou a arma (registrada em seu nome) e efetuou um disparo. No mesmo instante o policial militar que trabalha no posto também trocava de turno com um colega. Os dois PMs escutaram o disparo e foram ver o que estava acontecendo. Quando se aproximaram do auditor, ele apontou a pistola e ameaçou atirar nos policiais e nos outros auditores que trabalhavam no posto.

Todos ficaram muito nervosos e foi pedido apoio à Polícia Rodoviária Federal, Rone, COE e ao 17.º BPM.

Negociação

Quando os PMs de Campina Grande Sul chegaram ao posto, Juarez os recebeu a tiros e o soldado Macieski, do 17.º BPM, revidou, ferindo o atirador no braço. No confronto ele estava na beira da rodovia, a cerca de 10 metros das cabines de fiscalização. Depois de ferido, ele refugiou-se no pátio do posto. Juarez foi cercado por 50 policiais militares e iniciou-se a negociação para que largasse a pistola, liderada pelo tenente Luis Fernando da Silva, comandante da Rone. ?Durante todo o tempo ele ficou andando de um lado para o outro, e falando muito. Os assuntos eram sem nexo, o que demonstra como ele estava transtornado?, disse Lang.

Já bastante cansado e pálido, pelo fato de ter perdido muito sangue, às 13h40 Juarez resolveu se render.

De acordo com o supervisor da PRF, Juarez já tem históricos de surtos. O homem, que trabalha há 20 anos na Receita Estadual, já agrediu um delegado. Quando recebeu uma intimação para responder sobre o caso, ele também agrediu um oficial. Depois de receber atendimento médico, Juarez foi encaminhado à delegacia local onde responderá por porte ilegal de arma.