A cada plantão, a sensação de que será o último. Este é o sentimento comum dos três policiais lotados na Delegacia de Piraquara. A cada 48 horas, um deles é obrigado a ficar sozinho cuidando de 30 presos. Sempre aguardando que o pior pode acontecer a qualquer momento.

O medo aumentou depois do dia 6 de junho do ano passado, quando o investigador Luiz Gonzaga dos Santos, 49 anos, sacrificou a própria vida para impedir um arrebatamento de presos na Delegacia de Colombo. De lá para cá, a situação não melhorou em Colombo nem em outras delegacias da região metropolitana, que enfrentam um grande problema para servir e proteger a população: a falta de efetivo.

Em Piraquara, o delegado está de férias, o superintendente de licença. O novo delegado, Carlos Mastronardi, assume a DP hoje. Mas também pouco poderá fazer se o quadro de policiais não aumentar. São 92 mil habitantes que ficam desassistidos.

A reportagem da Tribuna esteve na delegacia de Piraquara, na noite de sexta-feira, e encontrou um local abandonado. Só as luzes estavam acesas e o portão trancado com cadeado. Na janela, um policial apareceu com uma pistola ponto 40 nas mãos e avisou que o registro de ocorrência só podia ser feito na segunda-feira, no horário de expediente. Ele informou ainda, que se fosse urgente, deveria acionar a Polícia Militar.

A forma de atendimento já denunciava a fragilidade do policial. Sozinho em uma sala, com janelas grandes, sem grade ou qualquer proteção, contra uma invasão. Ao redor da delegacia, alguns prédios públicos e um grande matagal. Durante uma possível invasão dificilmente o socorro chegaria. Da janela, o policial até pode ver o portão grande, mas não o portão pequeno, que pode ser transposto por qualquer pessoa, e oferecer passagem através de um vão entre o muro e a grade e surpreender o plantonista, que fica isolado em um local sem nenhuma estrutura.