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Diego estava com um grupo.

O garoto Diego Giovani Ribeiro Pinto, 15 anos, entrou, no fim da noite de quarta-feira, para a trágica estatística de pessoas mortas por policiais militares. Ele foi o décimo primeiro a morrer baleado por PMs, somente este ano.

Assim como em todos os casos anteriores, a PM afirma que o adolescente foi atingido durante troca de tiros. Porém, desta vez, familiares e amigos do adolescente contestam a versão.

Diego foi morto nas imediações do Parque São Lourenço, próximo ao terminal da Barreirinha, por volta das 22h30. De acordo com informações da PM, uma equipe verificava a denúncia que estaria havendo disparos de arma de fogo na região.

Os policiais constataram que, próximo ao trilho de trem, havia um grupo de aproximadamente dez pessoas reunidas. De acordo com a PM, ao se aproximar, a equipe foi recebida a tiros e, no revide, baleou o adolescente. Diego foi encaminhado ao Hospital Cajuru, onde, segundo informações do Instituto Médico-Legal, chegou já sem vida. A polícia informou que um revólver calibre 32, com numeração lixada, foi apreendido.

Contestação

Sem querer se identificar, com medo de represálias, uma pessoa ligada ao jovem confirmou que o menino estava em um grupo de jovens, mas que não houve reação. Os policiais estariam procurando indivíduos que roubaram um posto de combustíveis próximo dali, na Avenida Anita Garibaldi, momentos antes, e fugiram em direção onde estavam os garotos. Encontraram o grupo e acharam que eles seriam os assaltantes.

?Os policiais chegaram e perguntaram o que eles estavam fazendo ali. Os garotos disseram que estavam voltando para casa?, disse. Conforme o relato, um policial teria disparado para o alto, assustando o grupo, que se dispersou. Seguiu-se uma correria e mais tiros foram ouvidos. Um desses disparos teria acertado Diego na cabeça. Ainda segundo esta pessoa, Diego nunca andou armado e não tinha passagem pela polícia.

Sem investigação

Giselle Ulbrich

Apenas um dos dois jovens mortos na tarde de anteontem por policiais do 13.º Batalhão, no Sítio Cercado, foram identificados pela polícia. Trata-se de Yezer Ribeiro, 15 anos. Na versão da polícia, eles entraram em pelo menos três confrontos com policiais, até serem atingidos pelos tiros e serem socorridos no Hospital do Trabalhador. Um deles já chegou sem vida e o outro morreu pouco depois de dar entrada no pronto-socorro.

O reportagem do GPP procurou em algumas delegacias da capital, para verificar como está o andamento das investigações. A ocorrência deveria estar registrada no 10.º Distrito Policial (Sítio Cercado), responsável pela área, mas a documentação não está lá. No Instituto Médico-Legal, consta que a liberação do corpo foi emitida pelo 13.º DP (Tatuquara). No entanto, o DP também não possui boletim da ocorrência.