O O soldado Maurício José Faria da Silva, 33 anos, lotado no Batalhão de Polícia Escolar Comunitária (BPEC), foi assassinado com mais de dez tiros, às 22h de terça-feira, no Jardim Ipê, em São José dos Pinhais. Entre as hipóteses levantadas para o crime estão motivo passional, tentativa de assalto ou retaliação à morte de um suspeito de tráfico.

Na manhã de ontem, o corpo de um homem foi encontrado na mesma rua, bem próximo ao local onde o soldado foi morto e pode ter sido baleado pelo policial no revide. A violência não parou por aí e, no fim da tarde, um rapaz foi morto em confronto com policiais militares, no Jardim Jurema. Não está descartada a relação entre os três casos.

Cerco

O policial militar foi assassinado no cruzamento das ruas Joroslau Sochaki e Pedro Karwowski, no Jardim Ipê. Segundo testemunhas, o soldado estava estacionado em um local ermo, com a ex-namorada, no Celta placa ASR-91701, que pertence a sua noiva. Quatro homens se aproximaram e mandaram Maurício descer do veículo. O soldado sacou sua pistola calibre 40, mas foi atingido por 12 disparos e tombou a aproximadamente 20 metros do Celta. Os atiradores fugiram a pé, levando a arma do policial.

Rapidamente a rua foi tomada por pelo menos 15 viaturas da PM e várias motocicletas, além da Guarda Municipal. Os policiais disseram que, por ordem do comandante do 17.º Batalhão, não estavam autorizados a dar entrevistas.

Retaliação

A delegacia de São José dos Pinhais não descarta a hipótese de crime passional, visto que Maurício estaria traindo a noiva. No entanto, explicou o superintendente Clóvis Pinheiro, também investiga tentativa de assalto ou retaliação. Há duas semanas, Elias de Oliveira Reis, 26, foi morto em confronto com policiais militares, no Jardim Jurema. Ele era considerado patrão do tráfico no bairro e suspeito de ter matado um garoto de 10 anos. A partir do confronto, surgiram boatos que a morte seria vingada. “Maurício não estava envolvido no tiroteio, mas os marginais podem tê-lo matado só porque era policial”, explicou Clóvis.

A ex-namorada do soldado, que estava no Celta, foi ouvida na delegacia mas, segundo Clóvis, não tinha condições de reconhecer o cadáver como sendo um dos assassinos.

Outro

Na mesma rua, por volta das 7h, um homem sem documentos, moreno claro, de aproximadamente 40 anos, foi encontrado morto com um tiro na cabeça.

Ele vestia camisa de malha azul, calça jeans azul clara, meias cinzas e tênis pretos, e não foi reconhecido por moradores da região, que não ouviram disparos durante a madrugada. A polícia investiga se as duas mortes estão relacionadas.