O Comando do Policiamento da Capital anunciou ontem a expulsão dos dois PMs envolvidos em uma abordagem que resultou na morte de um jovem em novembro de 2002. O cabo Afonso Odair Konkel e o soldado Nilton Hasse, que estavam lotados no Serviço Reservado do 13.º Batalhão da PM, continuam respondendo inquérito policial militar (IPM), mas já não fazem parte da corporação.

A exclusão foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Disciplinar da corporação, composto por três oficiais. No parecer, o conselho afirma que ficou comprovada “conduta irregular de natureza gravíssima a atentatória ao decoro da classe”. O comando-geral da PM já autorizou o afastamento definitivo de Konkel e Hasse, mas os punidos ainda podem recorrer da decisão. Já o IPM continua em andamento e será encaminhado à Justiça para punição criminal dos acusados. Paralelamente, será apreciado o inquérito instaurado pela Polícia Civil.

Abordagem

O estudante Anderson Froese de Oliveira, 18 anos, foi morto com um tiro na cabeça às 2h15 do dia 2 de novembro de 2002. Ele e alguns amigos pichavam o muro da Viação Carmo, na Avenida Marechal Floriano Peixoto, Parolin, quando foram abordados por ocupantes de um Corsa da PM, descaracterizado. Os dois policiais mandaram o estudante e um amigo dele, de 16 anos, encostarem no muro, onde foram revistados. Pouco depois, Anderson foi atingido por um tiro na cabeça – o disparo, segundo a polícia, foi à queima-roupa e partiu do soldado Nílton Hasse. Uma viatura caracterizada da corporação apareceu 15 minutos e levou a vítima ao Hospital do Trabalhador, mas o rapaz não resistiu e morreu.