Policiais do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos – Nurce – acabaram com uma rede de venda de receitas de remédios controlados, que agia pela internet e tinha ramificações também no Pará e em Minas Gerais. Em alguns casos eram usados carimbos de médicos falecidos. Nesta sexta-feira (5), duas pessoas foram presas, em Belém (PA), e 15 mandados de busca e apreensão foram cumpridos naqueles estados, durante a Operação Anorex II.

A operação foi planejada mês passado, em Maringá, depois da prisão do médico José Carlos Ramires, denunciado pela Vigilância Sanitária e acusado de vender ilegalmente anorexígenos (remédios para emagrecer). Na época, ele foi autuado em flagrante por tráfico de substância entorpecente.

Os 15 mandados cumpridos nesta sexta-feira (5) foram emitidos pela 2.ª Vara Criminal de Maringá. Os policiais paranaenses contaram com a colaboração da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO) da Polícia Civil do Pará e da delegacia de Ituiutaba (MG).

Fabio Alvarez Tenório e Marcela Oliveira Reilly foram presos em flagrante de com remédios controlados. Nos locais investigados nos dois Estados foram apreendidos medicamentos, como Rohypnol, Flunitrazepan, Alprazolan, Cloridrato de Sibutramina, Dipalmitoil Fosfatil Colina. Também foram recolhidos blocos de receitas B e B2, controlados pela Anvisa, e carimbos com nomes de médicos do Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro. Alguns deles já falecidos.

Provas

A quadrilha era investigada há cinco meses, por vender receitas para muitas pessoas no Paraná, Pará e Minas Gerais. Foram cumpridos sete mandados em Belém, um em Ananindeua e um em Castanhal, no Pará, e três em Ituiutaba, Minas Gerais.

“Com os mandados cumpridos, conseguimos juntar provas da atuação dessa quadrilha muito bem estruturada, com atuação em várias cidades e estados. Os medicamentos apreendidos são todos controlados, e só podiam ser vendidos com o recolhimento da receita numerada, com os dados do paciente”, explicou o delegado-chefe do Nurce, Robson Barreto.

Desde o fim do ano passado, o Nurce investigava informações de uma quadrilha especializada em vender remédios controlados pela internet. Como algumas pessoas se tornavam dependentes, a quadrilha vendia receitas e formulários controlados, que eram enviadas pelo correio mediante depósito bancário. As receitas eram falsificadas com endereços e nomes de clínicas, e eram assinadas, utilizando carimbos e nomes de médicos já falecidos.

Os dois presos em flagrante em Belém foram autuados por tráfico de substância entorpecente e estão presos à disposição da Justiça do Pará. Oito pessoas prestaram depoimentos e foram liberadas. Em Ituiutaba, duas pessoas foram ouvidas na delegacia da cidade e liberadas. Computadores, receituários, carimbos e remédios serão juntados ao processo, que corre em Maringá.

“Toda a quadrilha foi desbaratada e agora a Justiça de Maringá vai avaliar todas a provas que conseguimos nesta operação, para denunciar os envolvidos nos crimes”, disse o delegado do Nurce de Maringá, Fernando Ernandes Martins.

A polícia continua com as investigações para levantar se existem mais envolvidos com a quadrilha, e apura os nomes e contas correntes usados por laranjas que recebiam os depósitos bancários pelos pagamentos dos remédios e das receitas vendidas pelo grupo.