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Hideki Tokuda: no Japão,
média é de 137 homicídios por ano.

Policiais militares do Paraná tiveram a oportunidade de trocar experiências sobre polícia comunitária com profissionais dos Estados Unidos, Canadá e Japão. O congresso internacional aconteceu durante todo o dia de ontem, no Centro de Convenções de Curitiba.

Em um dos painéis, o tenente-coronel Roberson Luiz Bondaruk falou sobre o Projeto Povo, que tem os moldes da polícia comunitária canadense. Instituído em 2003, o projeto prevê uma maior aproximação entre a Polícia Militar e as comunidades. ?Ao atendimento aleatório, feito mediante o 190, alia-se o atendimento personalizado, dentro das comunidades?, diz. Na prática, foram montadas estações que atendem, geralmente, a dois bairros. Cada uma conta com 12 policiais, uma viatura e duas motos.

Como nas polícias comunitárias dos países participantes do congresso, o objetivo é trabalhar forte na prevenção, conscientizando a comunidade, resolvendo problemas simples que podem tornar-se grandes no futuro. ?Estamos dentro da casa das pessoas. Se elas avisam que há uma casa abandonada ou uma rua pouco iluminada, vamos resolver o problema para que não se crie ambiente propício às ações de criminosos.? Hoje, o Paraná já tem 3.900 policiais trabalhando no policiamento comunitário, o que representa 30% do efetivo. Porém, 86% do total de policiais militares do Estado já passaram pelo curso de polícia comunitária, que dura 40 horas.

Oriental

Se no Paraná e no Brasil a concepção de polícia comunitária ainda é recente, no Japão ela já tem mais de cem anos. Talvez por isso seja considerada uma das mais eficientes do mundo. ?No Japão, há um policial para cada 527 cidadãos e a média de homicídios por ano é de 137?, diz o perito Hideki Tokuda, que desde o início do ano trabalha na implantação da polícia comunitária de São Paulo. Os ?kobans? japoneses, que são os postos de polícia comunitária, são tão inseridos na vida das pessoas que realizam reuniões constantes com a população. ?Trabalhamos com a conscientização e sempre ouvimos a comunidade. Isso é fundamental na prevenção. Nosso grande objetivo é garantir a paz e a segurança dos cidadãos?. No Japão, 81% das ocorrências são atendidas por policiais comunitários, que recebem salários mais altos que outros funcionários do governo japonês, que mantém sozinho todo o sistema de polícia.