A matéria de capa publicada na edição de ontem da Tribuna repercutiu na esfera policial. Integrantes do serviço reservado da Polícia Militar (P-2) estiveram na redação para colher dados e fotografias do flagrante de furto registrado pelo jornal na tarde de quarta-feira no centro da cidade. A Polícia Civil, através da Delegacia de Furtos e Roubos, também demonstrou interesse e solicitou uma cópia do material feito pela equipe de reportagem para dar seqüência às investigações. E o principal, ontem o centro da cidade esteve livre da ação dos criminosos, que desapareceram como que por milagre. Durante todo o dia transeuntes circularam tranqüilamente pelas ruas próximas à Praça Rui Barbosa (ponto de concentração dos ladrões) sem que nenhum caso de furto fosse registrado.

Conforme informações dos policiais do serviço reservado, grande parte dos integrantes da gangue de punguistas é conhecida da polícia e conta com antecedentes criminais, principalmente furto. O delegado Alfredo Dib, da DFR, confirmou que os homens flagrados pelas câmeras da Tribuna já estiveram presos por mais de uma vez e, sempre que retornam às ruas, voltam a agir descaradamente.

Culpa de quem?

Embora conhecidos da polícia e reincidentes, os punguistas não ficam presos por muito tempo. De acordo com o delegado Alfredo Dib, que investiga esse tipo de crime há anos, “o maior problema é que o delito é afiançável. Nós prendemos, mas eles permanecem pouco tempo recolhidos. Alguns chegam a ser soltos no mesmo dia. Dois meses foi o máximo que um deles ficou no xadrez”, lamentou o policial.

É difícil apanhar esse tipo de criminoso em flagrante e quando eles são surpreendidos com a carteira da vítima, alegam em juízo que a acharam e a Justiça determina que eles cumpram penas alternativas, segundo o policial. “Prender a gente prende, mas quanto tempo eles permanecem presos compete à lei e à Justiça”, argumentou Dib, procurando fazer crer que a polícia faz a sua parte.

Ele disse que a lei, por ser branda para punguistas, favorece o crime. “É como se a lei não existisse. É uma pena, pois temos muitas queixas registradas. Pelo menos uma por dia na DFR, sem contar as que são atendidas pelos distritos nos mais diversos bairros da cidade”, comentou o delegado.

Três gangues agem no centro

O delegado Alfredo Dib, da DFR, salientou que são três as quadrilhas de punguistas que agem no centro da cidade, denominadas “firma do Pepe”, “firma do Giovani” e “firma do The Flash”. “Elas se fundem na hora da ação”, explicou o policial.

Quem aparece nas fotografias da Tribuna publicadas ontem, atacando uma vítima e usando uma blusa amarela e boné é Rodrigo Trevisan, mais conhecido como “Aranha”, segundo afirmou o delegado. Também foram fotografados um homem conhecido como “Barba”, e Douglas da Silva Ribeiro, chamado de “Marcelo”. Além deles, já foram identificados como integrantes da gangue o sujeito que atende pelo apelido de “Gordinho” e uma moça chamada Milene Esser.

“O Aranha, a Milene, o Barba e o Douglas integram a “firma do Pepe”, que na verdade se chama Peter Bernardo Ferreira”, contou o policial, informando ainda que “Pepe” tem passagens pela DFR desde 1980. Todos esses grupos, denominados “firmas”, são auxiliados por um homem conhecido como “Tramontina” ou “Neguinho”, que na realidade se chama Manoel Pereira de Lima. Este indivíduo atua como “segurança” da gangue. “Ele carrega uma faca marca Tramontina, por isso que ganhou o apelido.”

“Quando o herói se queima, ele ataca.” Esta é a explicação dos marginais para a existência de “Tramontina”, e quer dizer que, quando a vítima reage (dá uma de herói) ele defende os ladrões, usando a faca.

Ataques

O delegado revelou que cada “firma” age de uma maneira. A “firma do The Flash” usa o método do empurra-empurra. Um integrante desequilibra a vítima, enquanto outro tira a carteira do bolso. Um terceiro malandro se aproxima e ajuda a vítima a se levantar e pergunta: “O que foi que houve senhor?”. Depois indica o sentido contrário ao que o comparsa tomou.

Método diferente é usado pela “firma do Pepe”. Os marginais se encostam na vítima enquanto os outros “dão a roupa”, quer dizer, os cúmplices do descuidista se aglomeram em volta da pessoa para que ela se distraia. Nisso outro integrante “churreia”, ou seja, abre a bolsa ou bolso da vítima, e tira a carteira. “Este método foi usado nos flagrantes feito pela Tribuna”, argumentou Dib.