Foto: Valquir AurelianoTribuna
Detidos estavam com nota
fiscal dos produtos roubados.

Uma operação para inibir o tráfico de drogas e contrabando de armas vindas do Paraguai, realizada no Posto Alto da Serra, pela Polícia Rodoviária Federal(PRF), na BR-376, desmantelou uma quadrilha especializada em roubo de cargas no Paraná, na madrugada de ontem. Foram presos Miguel Cordeiro Silvano e Saulo Marafon.

O crime foi descoberto quando o veículo Siena placa GQS-1273, de Juranda (PR), foi abordado pelos policiais.

A revista minuciosa visava encontrar substâncias tóxicas. No entanto, embaixo do tapete dianteiro não havia droga e sim uma nota fiscal emitida por uma empresa de Araucária, referente a uma carga de lâminas de aço com destino a Joinville (SC). Questionados sobre o documento os dois homens alegaram que estavam levando a nota a pedido de um amigo.

Enquanto eles eram interrogados dentro do posto policial, outro soldado da PRF percebeu que um caminhão havia parado nas proximidades do posto e, em seguida, lentamente se escondia na curva da estrada.

Os policiais resolveram verificar o que tinha acontecido e encontraram o caminhão Mercedes-Benz placa AIV-4880, de Curitiba, abandonado, com as portas abertas e a chave na ignição. Quando o caminhão chegou ao posto, levado pelos policiais, o soldado Magliorini, que atendia a ocorrência da nota encontrada no Siena, percebeu que a placa do caminhão era a mesma especificada no documento fiscal em nome do motorista, Adílio José Sbrussi, até então desaparecido. Em seguida, uma ligação, confirmou que Adílio havia sido vítima de ladrões.

Crime

De acordo com relatos de Adílio, ele havia carregado o caminhão durante o dia e seguiria viagem até Joinville. Quando ia pela BR-376, em uma subida, sentiu que o veículo havia perdido a potência. Quando parou para ver o que tinha acontecido foi abordado por dois homens encapuzados que lhe deram voz de assalto e o colocaram dentro de um carro. "Não vi como eles eram, só sei que era um carro branco, parecia ser um Monza", disse o motorista, que suspeita que o problema mecânico apresentado no caminhão tenha sido forjado pelos assaltantes.

Ele contou ainda que, durante o tempo que ficou como refém dos bandidos, sofreu pressão psicológica. "Eles ficavam engatilhando a pistola, aquele barulho me deixava mais nervoso", comentou.

Para o soldado Magliorini, a dupla detida pode estar envolvida em outros crimes relacionados a roubo de cargas no Paraná e Santa Catarina. "Eles são profissionais. Inclusive ligaram na central da empresa que teria emitido a nota informando que a carga já estava entregue. Isso daria mais tempo para concluírem a ação criminosa", disse o policial. A investigação do caso está sendo feita pela Delegacia de Estelionato de Desvio de Cargas de Curitiba, onde a dupla está presa.

Bloqueio

O soldado Magliorini explicou que pela BR-376, principal via de ligação com Santa Catarina, passam cerca de 80% da droga distribuída em Joinville, Florianópolis e outras cidades catarinenses. A ação especializada realizada no Posto Alto da Serra, na proximidades do quilômetro 666 da rodovia, tem como principal objetivo fiscalizar e apreender drogas e armas contrabandeadas do Paraguai que, porventura, passaram nas fiscalizações da região da fronteira. "Nossa meta é filtrar ainda mais a ação de traficantes que conseguiram passar por outros postos da Polícia Rodoviária Federal", comentou.

Estelionatário preso durante operação

Giselle Ulbrich

Na mesma operação, um homem, com uma carteira de identidade e um talão de cheques falsos, foi pego pelos policiais. Eles pararam o Fiat Tipo placa KFQ-6970, de Camboriú (SC), que ia para Joinville no início da madrugada de ontem. O veículo tinha como passageiro Joelson Ferreira, que se identificou como Antônio Renato Bigati, com uma identidade expedida na Bahia. Os policiais constataram que o documento era falso e ao solicitarem mais documentos, ele entregou um talão de cheques do Citibank, com 20 folhas, também em nome de Antônio.

O estelionatário explicou que comprou o documento e os cheques de uma pessoa de São Paulo e, como os recebeu via Sedex, não conhece o vendedor. A dupla foi levada à delegacia de São José dos Pinhais. O motorista foi ouvido e liberado, enquanto o estelionatário ficou detido.