Fortemente armados e ocupando um Fiat Uno, de cor verde, quatro homens atiraram contra o caminhão-cegonha placa IHR-3000, que transportava onze veículos Peugeot para a Concessionária Le Lac, em Curitiba. O ataque ocorreu ao meio-dia de quinta-feira. O caminhão foi atingido por sete disparos. Por pouco, os tiros não acertaram o motorista Mauro Silveira da Rocha, 39 anos. Esse não é o primeiro ataque que ocorre contra o transporte de veículos na capital paranaense. Sindicalistas e donos de transportadoras estão sendo investigados pela Polícia Federal, sob a acusação de formar um cartel para impedir o transporte autônomo.

O diretor da Le Lac, Marcos da Silva, informa que os atentados começaram a ocorrer depois que donos de concessionárias perceberam que poderiam reduzir o custo do frete em aproximadamente 50%, se tivessem um transporte próprio e dispensassem as transportadoras especializadas. “Para se ter uma idéia, o preço reduziu de R$ 780 para R$ 350. Mas a média geral (de redução) é de 50%”, explica Silva. “Contra a Le Lac foi a primeira represália, mas tememos que possam ocorrer outras. Existe uma facção dentro do mercado que não permite que as concessionárias transportem os veículos. Por causa disso, estamos enfrentando uma série de pressões”, denuncia, citando que, na semana passada, uma carreta foi queimada em frente à Renault do Brasil, em São José dos Pinhais.

Ele relata que, depois que as concessionárias da Peugeot começaram a carregar os veículos na fábrica em Porto Real (RJ), foram registradas onze ocorrências policiais, que englobam desde o lançamento de coquetéis molotov até disparos de arma de fogo – como ocorreu com o caminhão-cegonha da empresa que gerencia. Silva lembra que os criminosos explodiram uma granada de uso militar na casa do diretor de uma empresa. “São transportadoras filiadas aos sindicatos de transportes de cargas que estão pressionando. Mas nós não estamos atrapalhando ninguém. Pelo contrário, estamos gerando empregos”, afirma. O diretor da Le Lac salienta que já há inquéritos policiais e denúncias do Ministério Público Federal para apurar quem são os envolvidos no cartel. Algumas pessoas já foram denunciadas.

Tiros

Conforme a ocorrência registrada na polícia, o caminhão-cegonha passava pela rodovia Régis Bitencourt, em Miracatu (SP), quando surgiu o Fiat Uno – que estava com a placa fria BRN-1061 – ocupado pelos homens que passaram a atirar. O motorista Mauro Silveira Rocha procurou a delegacia de Miracatu, onde registrou a ocorrência. “Os policiais não quiseram escoltá-lo até Curitiba e contratamos uma empresa especializada em segurança”, conta Marcos da Silva. Ele argumenta ainda que não é comum o roubo de cargas de veículos novos, o que certifica que o ataque é para intimidar os proprietários de concessionárias.