Pela primeira vez no Brasil, a polícia conseguiu comprovar a participação de um suspeito em um crime com a ajuda do Banco de Dados de Material Genético da Polícia Científica do Paraná. Um assaltante, que já está preso na Penitenciária Central do Estado (PEC), agora vai responder também pelo roubo a um caixa eletrônico em Curitiba graças à tecnologia da Segurança Pública paranaense.

O suspeito foi identificado por meio de uma amostra de sangue coletada pelos peritos do Instituto Médico Legal (IML) em uma agência que teve o caixa eletrônico explodido em janeiro, no bairro Cajuru, em Curitiba.

Em março, o assaltante foi detido em Matinhos, em uma ação Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), com mais 64 pessoas responsáveis por explosões a caixas eletrônicos. Ele foi solto semanas depois pela Justiça.

Em setembro ele foi preso novamente, quando a Polícia Federal desarticulou uma quadrilha especializada em esquema de explosão de terminais bancários. Material genético dos 16 suspeitos presos foi encaminhado ao Banco de DNA da Polícia Científica do Paraná, onde informações cruzadas mapearam a presença desse suspeito – hoje detido na PEC – na explosão do caixa eletrônico no Cajuru, em janeiro. Com isso, o preso responderá por mais esse crime.

O fato é resultado do compartilhamento dos perfis genéticos cadastrados nos Bancos de Dados de Material Genético dos Estados.

O Paraná foi um dos pioneiros a se preparar para esse Banco, um dos primeiros do País a inserir esses perfis genéticos, e hoje temos mais de 900 de indivíduos presos e condenados graças ao Banco de Dados“, afirma o diretor da Polícia Científica do Estado do Paraná, Hemerson Bertassoni.

PIONEIRISMO

O Banco de Perfis Genéticos de Criminosos do Paraná, pioneiro no Brasil, iniciou as atividades em 2014, com coletas permanentes de material genético dos presos condenados tipificados na lei federal 12.654/2012, que inclui nove crimes, como estupro e homicídio doloso.

Todos os condenados por crimes hediondos e crimes dolosos violentos contra a pessoa podem ser identificados com material genético para compor o sistema. A medida tem caráter de identificação e pode, também, inocentar suspeitos de crime de estupro ou pedofilia, por exemplo.

O método é indolor e não invasivo por meio do chamado swab bucal, com coleta de células da mucosa da boca para obtenção do perfil genético. Posteriormente, essas amostras passam por uma análise de qualidade no Laboratório de Genética Molecular Forense do Instituto de Criminalística do Paraná, para então integrar um cadastro nacional