Aliocha Maurício
Traficantes agiam em plena luz
do dia, no centro histórico.

Após três meses de investigações e cerca de 20 horas de gravação de vídeo, policiais da Delegacia Antitóxicos prenderam 12 pessoas acusadas de comercializar drogas no centro histórico de Curitiba. Foram apreendidas 14 pedras de crack. Hélio Lourenço de Araújo, o "Gordo", 36 anos; Marli Gomes, conhecida como "Naja", 36; Elias Rodrigues de Lara, 21; Tâmara de Jesus Prestes, 22; Antônio Carlos da Silveira, 30; Kátia Taborda, 23; Rodrigo Torres Martins, 19; Andrews Antunes Denner, 18; David Eldorino Pereira, 18; Sirlei Silva dos Santos, 28; Júlio César Borlotti, 24; e Leandro Maicon da Silva, 19, estão atrás das grades. Quatro pessoas também foram autuadas por uso de entorpecentes. Elas foram ouvidas em termo circunstanciado, liberadas e deverão responder processo no Juizado Especial Criminal.

O delegado Wallace de Castro, que comandou a operação, justificou que apesar da pouca quantidade de drogas apreendida, a movimentação dos traficantes era intensa no centro. Segundo ele, os 12 presos "trabalhavam" em 11 quadras, das ruas Saldanha Marinho e Ermelindo de Leão. "Não apreendemos grande quantidade de drogas, mas temos provas de que eles comercializavam entorpecentes. Além das gravações, que mostram a venda tanto durante o dia como à noite, tiramos mais de 60 fotografias", salientou o delegado.

Wallace disse que as prisões começaram a ser efetuadas às 19h de quarta-feira e se estenderam até as 6h de ontem. " nosso foco não era apreender entorpecente, mas sim retirar de circulação quem comanda o tráfico no centro histórico de Curitiba. Por isso, captamos imagens para termos subsídios para efetuarmos as prisões", frisou o delegado. O depoimento de testemunhas e usuários também foram importantes para concretizar as prisões.

Wallace disse que as investigações apontaram que o tráfico na região é comandado por Hélio e Marli, que são sócios. "No momento da prisão, a Marli engoliu parte da droga para tentar escapar do flagrante. Os outros estavam com pequena quantidade, o que é comum para não despertar suspeitas e não serem presos por tráfico, alegando que são usuários", contou o policial.

Ainda de acordo com o delegado, Hélio e Elias já têm passagens por furto; e Marli já respondeu por tentativa de homicídio e tráfico de drogas.

Tâmara e Antônio têm antecedentes por tráfico e Kátia já respondeu procedimento por desacato à autoridade. Os outros presos não possuem passagens.

Todos os detidos declaram ser "inocentes"

Durante a apresentação à imprensa, Sirlei Silva Santos, 28; Kátia Taborda, 23; Marli Gomes, 36; e Tâmara de Jesus, 22, queriam ver a fita de vídeo exibida pela polícia. Sirlei comemorava que ela não tinha sido filmada. "Sou prostituta e viciada. Tenho pedra de crack porque às vezes os clientes me pagam assim", alegou a acusada. Tâmara e Kátia também justificaram que ganham a vida fazendo programas nas ruas do centro da cidade. Marli só ria das "colegas", enquanto elas apontavam sua imagem no vídeo. "Não vou fazer programas, para assinar um doze", salientou Sirlei, referindo-se ao artigo da lei 6368/76, que legisla sobre o tráfico de drogas. "Eles (policiais) vão lá só para pegar cachimbo. Só passam vergonha", atacou a acusada.

Segundo o delegado Wallace de Castro em nenhuma das filmagens Sirlei estava "fazendo" ou combinando programas. "A única que é prostituta é a Kátia, mas também está envolvida com o tráfico", assegurou o delegado.

Inocentes

Alguns dos homens presos também deram suas versões, outros preferiram o silêncio. "Isso que estão falando é mentira. É que briguei com minha mulher e estava dormindo dentro do carro. Não administro estacionamento nenhum. Eu estava era pagando R$ 2,00 por dia para dormir dentro do carro", garantiu Hélio Lourenço de Araújo, 36, apontado como um dos líderes do tráfico. Elias também negou seu envolvimento. (VB)

Moradores comemoram prisões

Ontem, alguns moradores do centro entraram em contato com a Tribuna para elogiar o trabalho da polícia. Eles denunciaram que assim que os policiais deixaram a região, um táxi chegou no local para transportar a droga que não foi encontrada durante a operação. "Tinha bastante cocaína, crack e maconha. O taxista está envolvido, porque ele é quem faz o transporte", entregou um morador, que prefere não ser identificado, temendo represálias. Ele disse que outras pessoas estão envolvidas com o grupo preso.

Uma outra moradora contou que os traficantes aproveitam os buracos nas calçadas para esconder a droga. "Assim que os policiais vão embora, eles voltam para buscar", comentou. "Esperamos que agora diminua o tráfico na nossa região", disse uma mulher.