O Comando da Polícia Militar afastou das ruas os policiais envolvidos na abordagem violenta contra Ana Paula Ribeiro, 18 anos, ocorrida sábado. Ela participava da Caminhada pela Paz, promovida por torcedores do Coritiba, quando foi agredida pelos PMs. Segundo o comando da corporação, pelos próximos 30 dias (tempo previsto para durar a sindicância), os policiais militares que aparecem nas imagens gravadas por um celular farão apenas trabalhos administrativos. A PM não divulgou o nome dos envolvidos.

De acordo com o coronel César Vinícius Kogut, que está à frente das investigações, as imagens divulgadas pela imprensa não deixam dúvidas que os policiais agiram de forma violenta. “Eles podem receber desde punição disciplinar e até ser excluídos da corporação. Na esfera criminal podem responder por abuso de autoridade e agressão. A apuração será enérgica”, garantiu Kogut. Ele agradeceu a imprensa por contribuir com a fiscalização da ação da polícia. “As denúncias devem ser feitas. A população não deve se calar, pois a polícia existe para proteger os cidadãos”.

Estudante

Ana Paula pretende entrar na Justiça contra os policiais. Ela sofreu escoriações nos ombros, joelhos, boca e peito, ao ser prensada contra a porta de uma loja. A jovem explicou que filmava com o celular a ação dos policiais, que qualificou como excessiva, já que não havia desordem no local. “Minha intenção era justamente registrar as abordagens, mas aparentemente não consegui flagrar nada. Eles estavam fazendo o procedimento com excessos, abordando mulheres e torcedores. Todo mundo estava tranquilo”.

A estudante acredita que os policiais foram para cima dela, porque sabiam que agiam de forma truculenta. Um dos PMs teria ameaçado quebrar o celular e dois tentaram tirar-lhe o aparelho. Quando perceberam que o celular estava no bolso da calça da jovem, um dos policiais teria se exaltado.