Na delegacia, a parati
supostamente usada para o roubo.

Uma estranha denúncia contra investigadores do 6.º Distrito foi registrada ontem, na Corregedoria da Polícia Civil. De acordo com a vítima (que se identificou apenas como Alexandre, por medo de represálias), por volta das 10h30 de ontem, três homens em uma Parati a abordaram quando caminhava pelo Alto Boqueirão. Com armas em punho,os indivíduos o obrigaram a entrar no carro e fizeram com que realizasse saques bancários em agências do Banco Santander, no valor de R$ 700,00 e R$ 200,00, e ainda assinasse um cheque de R$ 100,00. Também levaram dois telefones celulares.

Durante o trajeto até a agência bancária, a vítima encontrou no banco da Parati, um documento que tinha o timbre do 6.º Distrito Policial (Cajuru), e o escondeu no bolso da calça. Quando solto (em local não revelado), ele anotou a placa do carro e em seguida acionou a Polícia Militar, comunicando que havia sido roubado.

A situação foi atendida por duas viaturas do Regimento da Polícia Montada (RPMont). Através da placa foi possível identificar a origem do carro. A vítima, acompanhada pelos PMs, foi até o distrito policial já na frente da delegacia avistou a Parati estacionada. O veículo não possui identificação da Polícia Civil. No 6.º Distrito, o jovem disse ter reconhecido dois dos três homens que supostamente o “assaltaram” e eles seriam investigadores. “Não tenho dúvidas quanto ao reconhecimento”, disse Alexandre.

Corregedoria

Diante da acusação, o delegado Marcus Vinícius Augustus, responsável pelo distrito, encaminhou todos para a Corregedoria, para a formulação da queixa. A vítima foi levada pela viatura 5170 da PM, acompanhada pelo tenente Ceschin. O delegado também foi à Corregedoria para se inteirar da acusação contra seus subordinados.

De acordo com o delegado, os investigadores citados (cujos nomes não foram divulgados) não negaram a abordagem ao rapaz. “Na conversa com os policiais, eles disseram que receberam uma informação e começaram a averiguar. O indivíduo seria suspeito de falsificação, mas essa investigação não estava sendo feita pelo distrito e por isso eu não tinha conhecimento”, informou Marcus Vinicius.

Sobre a acusação de roubo, o delegado disse que prefere não acreditar na queixa, mas deixa as investigações para a Corregedoria, que é o órgão responsável pelos assuntos internos. Marcus Vinicius afirmou que, em seu distrito, tudo deve ocorrer de forma transparente e que se for comprovada a veracidade da acusação será o primeiro a divulgar os nomes dos envolvidos. “Se fizeram isso, terão a punição necessária”, finalizou.