Os policiais civis Airton Adonski Júnior e Reinaldo Sidwovski, ambos condenados a mais de 59 anos de prisão pela morte do estudante universitário Rafael Rodrigo Zanella, durante uma desastrada ação policial ocorrida há cinco anos, deverão sentar novamente no banco dos réus no dia 4 de junho. Eles recorreram da sentença anterior e o Tribunal de Justiça acatou o pedido de submetê-los a um novo júri, agora somente pelo crime de homicídio, do qual ambos são apontados como co-autores. Quanto aos demais delitos em que foram condenados, como usurpação de função, tortura e adulteração do local do crime, as penas permanecerão as mesmas.

O autor do disparo que matou Rafael, o informante da polícia Almiro Deni Schimidt, também já foi condenado e embora tenha recorrido da sentença de 21 anos de prisão, o Tribunal não acatou o pedido de novo juri para ele. Quanto aos demais envolvidos, o delegado Maurício Bitencourt Fowler – acusado de ter alterado a cena do crime para proteger os policiais e acusar o estudante de tráfico de drogas, além de prender e torturar as testemunhas do crime -, o delegado Francisco José Batista, titular do distrito na época, e os investigadores Daniel Santiago Cortez e Carlos Henrique Dias continuam em liberdade no exercício de suas funções e ainda não foram submetidos a júri, embora tenham sido pronunciados.

Cinco anos

Na próxima terça-feira, 28 de maio, completam-se cinco anos do episódio, ocorrido em Santa Felicidade. Rafael e alguns amigos saíam para jogar bola, quando o carro que ocupavam foi interceptado pelos policiais do 12.º Distrito, que supostamente estavam a procura de um traficante de drogas. No momento da abordagem, Almiro – que não era policial, mas agia como tal e não poderia estar armado – disparou acidentalmente sua pistola, matando Rafael. Imediatamente os amigos do estudante foram presos e autuados em flagrante como traficantes, além de ameaçados e torturados para não revelar a verdade. Sob o comando do delegado Fowler, a cena do crime foi alterada e um revólver e um pacote com maconha foram colocados no corpo e no carro de Rafael, para incriminá-lo. A farsa acabou sendo descoberta mais tarde, com a ajuda dos próprios peritos do Instituto de Criminalística.

Desde então o caso se arrasta pelos tribunais e somente três dos participantes da trama foram julgados e condenados, para revolta da família do estudante, que já não sabe mais a quem recorrer para que todos sejam punidos. Nem mesmo o Conselho da Polícia Civil analisou o caso ainda, o que permite que, com exceção dos presos, os demais policiais continuem no exercício de suas funções.

Luta

“Vamos acompanhar o novo julgamento sim e mais uma vez pedir para que todos sejam punidos, pois uma vida não se tira assim”, afirmou a empresária Elizabeta Zanella, mãe de Rafael. O advogado da família, Júlio Militão da Silva, atuará como assistente de acusação, ao lado do promotor de justiça Celso Ribas. O novo júri deverá ser presidido pelo juiz Fernando Ferreira de Moraes e deverá iniciar às 9h. Na defesa dos réus estarão atuando Antônio Augusto Figueiredo Bastos, Cláudio Dalledone Júnior e Edson Stadler.

Airton foi condenado a 38 anos e 3 meses de prisão, mais 2 anos e 2 meses de detenção, além de 110 dias/multa como pena pecuniária, em julgamento ocorrido em 3 de outubro de 1998. E seu colega Reginaldo recebeu a condenação de 21 anos de reclusão, 8 meses de detenção e 50 dias/multa como pena pecuniária, em 6 de novembro do mesmo ano.