Acusados de tortura, concussão e “plantar” drogas e armas para incriminar um homem, quatro policiais militares do 17.º Batalhão foram presos e serão investigados através de um Inquérito Policial Militar (IPM).

O fato aconteceu na noite do último dia 20, quando um cabo e três soldados chegaram na delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, com uma garrucha calibre 22 (em péssimo estado de conservação), algumas pedras de crack e pequena quantidade de maconha, que supostamente seriam de Edson Albenor dos Santos, apontado como traficante de drogas.

Na delegacia, Edson, que é gerente de uma empresa ambiental, disse que não era dono da droga e reclamou de fortes dores pelo corpo, causadas por tortura feita pelos policiais.

Segundo o superintendente José Braga, ele foi indiciado e liberado para procurar assistência médica. “Levando em consideração que a quantidade de droga era pequena e a arma possivelmente nem funcionava, fizemos o flagrante e o liberamos”, contou Braga.

Ele disse também que por meios próprios Edson procurou o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Curitiba, onde o promotor, depois de ouvir a sua versão, decidiu pedir a prisão dos policiais. “Caso seja confirmada a tortura, eles devem pagar pelo erro, afinal esse tipo de conduta não faz parte da atuação das Polícias Civil e Militar do Paraná”, finalizou Braga.

Para o comandante do 17.º Batalhão, tenente coronel Milton Isack Fadel Júnior, as denúncias devem ser investigadas, para daí sim, serem tomadas medidas mais enérgicas.

“Os quatro estão detidos no quartel da Polícia Militar e serão ouvidos em Inquérito Policial Militar (IPM). Caso sejam comprovadas as denúncias, serão responsabilizados”, explicou o coronel.

Ele disse que o denunciante também será ouvido e o laudo do Instituto Médico-Legal anexado no processo. “Já designei um oficial para trabalhar nesse caso e em no máximo 30 dias teremos uma resposta. Por enquanto os quatro vão continuar detidos”, completou.

Edson foi procurado, no entanto, não foi localizado. Na empresa onde ele trabalha, foi informado que ele está afastado graças a um atestado médico por tempo indeterminado.

Rádio

A prisão dos policiais estava em sigilo até a mulher de um deles procurar a Rádio Banda B para denunciar, segundo ela, a detenção arbitrária do seu marido. Ela disse que os detidos estão incomunicáveis e foram capturados irregularmente, pois cumpriam com suas obrigações.