O superintendente da delegacia de Almirante Tamandaré, Edson Ayrton Mendes, levou um susto, na tarde de ontem, quando soube que havia uma portaria para que ele deixasse o cargo e ficasse à disposição do recursos humanos da Polícia Civil. Estranhamente, o afastamento do policial aconteceu na mesma semana que ele concedeu entrevista a uma emissora de televisão denunciando as deficiências da delegacia, superlotação e a falta de efetivo. Os rumores são que Mendes foi afastado porque falou demais.

Na reportagem exibida, o policial autoriza a filmagem da carceragem lotada, mostra a pilha de mandados de prisão a serem cumpridos e afirma que o efetivo não é suficiente para a demanda do município. Ele mostra a dura realidade da cadeia de um dos mais violentos municípios da Região Metropolitana de Curitiba.

Retaliação

A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) afirmou que a transferência aconteceu a pedido do delegado Juliano Fonseca, devido a ?atrito profissional? com Mendes. A Sesp nega que o afastamento tenha sido retaliação pela entrevista. Funcionários da delegacia, porém, garantiram que o delegado jamais tomaria essa providência. Eles informaram que Juliano não iria se pronunciar sobre o caso.

O superintendente se diz perseguido, e não por Juliano. ?Eu sempre tive um relacionamento ótimo com o delegado e era seu homem de confiança. Sei que essa retaliação não veio dele e fico surpreso, porque não cometi falta alguma. Agi dentro da legalidade e só falei o que era de interesse público. Não maculei a imagem da Polícia Civil ou do governo, apenas falei o que acontece aqui e sobre as dificuldades que passamos para atender a população de Almirante Tamandaré?, desabafou.

O policial deixou o cargo e espera a decisão sobre qual delegacia será transferido. Enquanto isso, a delegacia do município, que já era carente de efetivo, perde mais um funcionário.